meio século

Walter Breda comemora 50 anos de carreira no teatro

"O Fantástico Reparador de Feridas" fica em cartaz até 1 de novembro em São Paulo

por Estela Cotes - 4 de outubro de 2009
Sem contabilizar as peças, novelas e dublagens que já fez, o ator Walter Breda chega aos 50 anos de carreira e 60 de idade. Isso mesmo, ele começou com apenas 10 anos fazendo rádio novelas na rádio Jornal do Comércio em Recife. Sua mãe era atriz na época e precisavam de uma voz infantil. De lá em diante, ele não parou mais.

O marco da trajetória como ator está sendo celebrado no palco, com o espetáculo “O Fantástico Reparador de Feridas”, em cartaz até 1 de novembro no Centro Cultural São Paulo. O texto é do dramaturgo irlandês Brian Friel, que está entre os nomes que refletem (ou refletiram como Samuel Beckett, Oscar Wilde e James Joyce) sobre a realidade de um país que saiu de um subdesenvolvimento profundo para hoje estar entre os países com maiores índices de avanço econômico da Europa.

Walter Breda, que fará participação na nova novela das seis na rede Globo chamada "Cama de Gato , conversou com o Colherada e fez um Rubens Caribé e Mariana Muniz acompanham Walter Breda na peçabalanço da profissão ao logo desses anos, do amor ao teatro e da vontade em prosseguir.

Você trabalha com TV, começou no rádio... por que escolheu o teatro para
comemorar os 50 anos de carreira?
Em essência a função do ator é a mesma seja na rádio, na dublagem, na TV, no rádio. O que muda é a linguagem, mas no fundo o cara tem que saber interpretar. Ator se vira, se transforma em outras coisas dada a necessidade do momento. Gostaria muito de fazer rádio hoje se possível. Eu elejo o teatro como a minha paixão principal, porque me sinto bem no palco, gosto de ver a reação do público, esse é o grande barato do teatro, você vai mudando o seu trabalho de acordo com esse retorno, com a satisfação de poder consertar no ato, às vezes, inclusive. Vou querer fazer teatro sempre na minha vida!

Fale um pouco sobre seu personagem na peça “O Fantástico Reparador de Feridas”, dirigida e traduzida por Domingos Nunes.
A peça versa sobre três pessoas que viajam pelo interior da Escócia e o interior de Gales se propondo a curar as pessoas. São charlatões! Na verdade, às vezes acontece que Frank (seu personagem) cura as pessoas, elas acreditam nele. O grande barato da peça é a discussão dos três sobre essa atuação deles. Cada um conta uma história, cada um tem um ponto de vista dessa história sobre enganação, ilusão. O público vai encontrar um embate emocional muito grande dos três personagens, abre-se um leque de discussão fantástico da posição do homem em relação ao outro, ao mundo. O autor se apega a uma coisa da psicanálise, fala de pai, mãe, da esposa, da loucura dela pelo marido e abandona tudo para sair com ele.

Muita gente acredita que um ator chega lá apenas quando ganha um papel em uma novela na televisão. Qual o balanço que faz da sua profissão ao longo desses anos?
Sem dúvida nenhuma a televisão te dá uma visibilidade maior e tem uma linguagem diferente. Ser um bom ator de televisão é uma coisa, ser um bom ator de teatro é outra. No teatro não dá pra editar, voltar. Gosto mais de fazer teatro. Ser ator é um ato de fé, tem que ter muito carinho para fazer um personagem. A televisão banaliza um pouco, porque são originais que se repetem: a impossibilidade de um amor, adaptações de Romeu e Julieta... Os atores atualmente estão muito em função da televisão. Ser famoso é ser uma coisa, ser ator é outra. O ator tem que buscar discutir a sociedade, as relações humanas, se colocando no papel de outro. O cenário também é outro hoje. Antes, no anos 60, o teatro era de terça a domingo, e o teatro tinha público o suficiente para pagar uma temporada de seis, oito meses. Naquela época assinava-se carteira de trabalho para quem trabalha no teatro. Pagava-se a temporada com a bilheteria. Essa relação não existe mais, o público brasileiro não vai muito ao teatro.

E o que continua buscando enquanto ator?
Continuo buscando a relação, o contato. Dizer alguma coisa, levantar problemas, questionar. Não tenho muito saída mais na vida! Nunca estudei pra fazer isso, aprendi tudo com orientação da minha mãe. Estou com novos projetos também, gravando a novela das 18h, que entra no ar agora dia segunda (5), com uma participação pequena, no papel de um delegado. Tomara que ele cresça, porque aí fico famoso e trago as pessoas pro teatro! Tenho convite de dois filmes e estou com uma outra peça montada que não está em cartaz “O casal ou porque você não disse que me amava”.

SERVIÇO
Centro Cultural São Paulo – Sala Paulo Emílio
Rua Vergueiro, 1000 - Metrô Vergueiro
Tel: (11) 3397-4001
Sexta e sábado, às 21h e domingo, às 20h
Até 1 de novembro
R$ 15
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