baiana arretada
Emanuelle Araújo ferve com a banda Moinho e lança CD e DVD
por Sarah Oliveira - 29 de outubro de 2009
Quem se aproxima de Emanuelle Araújo saca uma leveza no ar. OK, ela é de Salvador e isso explica muito de sua energia. No entanto, ela não combina apenas com o axé propriamente dito. Sua voz, sua dança e sua interpretação no palco vão além de um só estilo de música. Ela tem o dom de englobar vários ritmos, várias personagens, várias facetas... Aos 33 anos, até mãe de adolescente ela é -- na vida real.A cantora pinta e borda, e sua banda Moinho se diverte com ela. Desde 2004, o grupo tem uma sintonia forte e a Lapa do Rio de Janeiro, sem dúvida, é o grande espaço deles. "Quando resolvi morar no Rio de Janeiro para tentar crescer artisticamente caí na Lapa, nesse caldeirão musical democrático que rola no Rio". O Moinho é filho disso.
O grupo começou em lugares alternativos, mas com um público fiel e no boca a boca se tornou o "lado b mais pop da Lapa carioca". Sua parceira no palco, a percussionista Lan Lan, que ficou conhecida do grande público pela sua atuação na banda de Cássia Eller, é um show à parte.
Produzido por Berna Ceppas e Kassin, o "Moinho Ao Vivo" (EMI) foi gravado em junho, num Circo Voador lotado de fãs que acompanham a banda desde seu começo, ali pelos arredores. Emanuelle Araújo (voz), Lan Lan (voz e percussão) e Toni Costa (guitarra) ainda sobem ao palco neste sábado (31), na Varanda do Vivo Rio, ao lado de sua fiel banda formada por Mauricio Braga (bateria), Pedro Mazzillo (baixo) e Nara Gil (vocais).
O disco é um registro fiel ao show, cheio de sambinhas e xotes, sem deixar o bom e velho rock'n'roll de lado (característica vital da guitarra de Toni Costa) com destaques para sucessos como "Esnoba" (Márcio Mello), "Fim de Semana" (Toni Costa/Lan Lan), "Doida de Varrer" (Ana Carolina/Chacal), "Ela Briga Comigo" (Leleo/Bernardo Vilhena) e "Na Lapa" (Toni Costa/Lan Lan), além de releituras de "É de Manhã" (Caetano Veloso), "Samba da Minha Terra" (Dorival Caymmi) e "Besta é Tu" (Novos Baianos).
Emanuelle Araújo e o Moinho realmente se divertem, e isso fica nítido no papo que levei com ela:
S: A música e a carreira de atriz caminham juntas desde sempre, né?
Despertei a música dentro de mim no teatro quando eu era pirralha. Comecei com teatro infantil em Salvador. Eu cantava numa companhia da qual fiz parte durante anos, chamada Interarte. No fim da adolescência, comecei a investir na minha carreira musical, montei uma banda em que eu cantava MPB. Foi quando veio o convite para cantar na banda Eva [no lugar de Ivete Sangalo].
S: Mas você não quis continuar ali...
Olha, eu amo carnaval. Sou foliona total. Sempre gostei de cantar músicas de carnaval, mas viver só disso musicalmente era algo que não me completava. Não me fazia feliz. Saí do Eva quando meu contrato terminou, três anos depois, e voltei a fazer teatro. Era muito mais a minha. Comecei novas experimentações musicais, voltei com a linha do MPB, mas inseri o rock'n'roll e decidi ir pro Rio, numas de me reciclar musicalmente. Aí, quando resolvi morar lá para tentar crescer artisticamente eu caí na Lapa, nesse caldeirão musical democrático que rola no Rio, e tive a ideia do Moinho. Convidei a Lan Lan e começou tudo.
S: De uma maneira despretensiosa, mas fidelizando o público...Isso, com a simples vontade de tocar, tudo muito fluido. A gente se divertia de verdade e acabou chamando os outros pra se divertirem com a gente. Por isso muitos que nos conheceram no começo, quando fazíamos shows mais alternativos em lugares menores na Lapa, nos seguem até hoje, mesmo quando tocamos fora dela.
S: E você já conhecia a Lan Lan?
Lan Lan é minha amiga há muito tempo. Eu vim intuitivamente pro Rio, pois sentia a necessidade de maior abertura artística, e reencontrá-la foi maravilhoso. Salvador é um grande celeiro musical e cultural, o teatro de lá é demais, os artistas são incríveis, mas tem pouco espaço para as pessoas se apresentarem. Falta oportunidade pra mesclarmos ritmos, por exemplo. Já no Rio consegui estudar cinema e voltei a fazer teatro com os Argonautas, um grupo de pesquisa de teatro da Bahia que veio para o Rio na mesma época em que eu -- e foi inclusive fazendo teatro com esse grupo que recebi meu primeiro convite da Globo. Uma produtora de elenco me viu no palco e me convidou pra fazer teste pra novela "Pé na Jaca". [No mesmo ano, ganhou destaque ao interpretar Rosa, protagonista do filme "Ó Paí, Ó", ao lado de Lázaro Ramos. Em 2008, ela atuou na novela "A Favorita" e hoje é Heloísa na novela das sete, "Cama de Gato".]
S: Voltando à Lapa... ela foi o grande lance de vocês, né?
Sarinha, o povo ficava contagiado por nós simplesmente porque a gente realmente se divertia de verdade. A coisa cresceu, a gente se aliou a EMI, lançou disco assumindo uma vertente comercial. Antes, tínhamos a resposta do público, como você disse. A casa sempre cheia na Lapa fazia o tesão aumentar e tal, mas agora o Moinho é nosso trampo mesmo. Uma coisa que eu sempre busco é manter nossa essência, nossa história. O DVD mesmo mostra vários momentos desde nosso comecinho.
S: Mas hoje é uma banda com alcance nacional.
Mas, mesmo numa grande gravadora e dentro dessa organização mais mainstream, a ideia é continuar com esse improviso que simboliza nossa alma. Tanto que o DVD é um show do Moinho, do nosso jeito. Apenas nos extras temos momentos com artistas que têm a ver com nossa história, como Gilberto Gil e Dudu Nobre.
S: Você veio pro Rio sozinha, Emanuelle?Vim com minha filha Bruna, que hoje tem 15 anos. Não consigo viver sem ela, não. Ela adora música, é envolvida demais. Estudou piano aos 4 anos e hoje ela toca violão lindamente, ama cantar... Você sabia que ela montou uma banda com o Xicão, filho da Cássia [Eller, que hoje está com 16 anos]? Xicão toca pandeiro e canta e ela toca violão e canta. Eu estimulo, mas a deixo à vontade também, pois sinto que ela está se descobrindo. Ela tem um gosto musical incrível, é extremamente nostálgica (risos). Sério, menina, você não acredita! O repertório da bandinha deles é o lado b do Chico Buarque, do Gil, eles inventam uns arranjos muito loucos de músicas que buscam lá atrás...
S: E eles se conheceram como?
Eles se conheceram quando a Cássia era viva ainda. Estudavam juntos num colégio em Santa Thereza e ensaiavam um na casa do outro. Ela tem um puta ouvido musical. Moramos juntas e ouvimos música a toda hora. A seleção dela me impressiona. Eu sou muito nostálgica também. Ouço muita coisa dos anos 70, uma época que nem vivi.
S: Que som que ela ouve que você não acredita?
(risos) "Acabou Chorare", um disco que pra mim é uma pérola dos Novos Baianos. Sabe que outro dia a peguei cantando "Tinindo Trincando" e ela sabia a letra toda, menina! E eu pensei: "Caramba! Ela gosta mesmo! É um gosto dela!" Senão, não estaria ali sabendo a letra toda. Foi demais!
S: Pra finalizar, minha pergunta Colherada. Pra quem você dá uma colher de chá?
Tem tantas pessoas que poderiam ter um reconhecimento maior, popularizado. O Rubinho Jacobina, que toca na Orquestra Imperial, por exemplo. O disco solo dele é massa. ["Rubinho e Força Bruta"]
Fica a dica da Emanuelle. Entre no myspace do cara pra ver qual é. E quem estiver no Rio neste sábado não pode perder o show de lançamento do DVD do Moinho. Na Lapa, claro.
Últimos comentários
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Penelop - 30/10/2009 às 10:47:37
Emanuelle + Moinho = equação perfeita
A Emanuelle se encontrou musicalmente! Ela e a banda Moinho é uma equação perfeita! ...Um comentário que eu n deveria fazer: Adoro axé, sempre gostei do Eva (com Ivete minha Diva; e agora o Saulinho dando um show a frente do Grupo...), mas definitivamente a Emanuelle não parecia se encaixar tão bem no estilo musical do Eva (n estou criticando a Emanuelle pelo contrario...). PS: eu achava a Manu de "A Favorita hilaria"... PS²: Sarah vc estava linda no Teleton
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regis - 30/10/2009 às 00:25:43
sensacional
cada dia que entro neste site tem uma entrevista despretenciosa me aguardando. gente, vcs sempre tem alguém bacana do universo musical pra falar umas coisas que eu nem sonhava em saber. tipo, de uma maneira breve já sei sobre a história da emanuelle araujo . nca imaginei q tinha uma filha de 15 anos e achei demais o q ela falou da falta de speaço pra artistas increveis da bahia poderem mesclar batuque com rock, por ex. poxa, sou de sampa e nunca vi o Moinho ao vivo. sou mais rockn'roll mesmo. entrei pra ler a entreista do nando reis e a matéria do show do meia dúzia e me deparei com essa entrevista gostosa. sarah, sempre que escrever pra esta coluna, avise! coloque chamadas. assim, posso clicar. o site está entre meus favorites. beijão meninas









