fazendo arte

Casa Tomada: novo espaço em São Paulo reúne jovens artistas

Lugar propõe a discussão das diferentes linguagens que integram a arte contemporânea

por Sarah Oliveira - 17 de novembro de 2009

As sócias Thereza Farkas e Tainá AzeredoA Casa Tomada, que estreou em outubro deste ano com o intuito de oferecer reflexões sobre diferentes manifestações artísticas, estreia sua primeira exposição de residentes no próximo dia 27. O novo espaço, que abriga um programa de intercâmbio e convivência, foi idealizado pelas jovens proprietárias, Thereza Farkas e Tainá Azeredo. Tainá é graduada em Artes do Corpo pela PUC de São Paulo e Thereza em Cinema pela FAAP. Juntas abriram este ponto de encontro do povo da arte.


Na Casa Tomada jovens trabalham na criação e produção de obras sob a orientação de cursos de profissionais em múltiplas áreas da arte. Entre os nomes convidados a dividirem um pouco de suas experiências profissionais já passaram por lá os artistas plásticos e pesquisadores Sérgio Basbaum, Silvia Mecozzi, o músico Arrigo Barnabé, o arquiteto André Vainer, além de nomes que expõem na Galeria Vermelho (de São Paulo).

Mais do que somente uma escola, o espaço é uma supercolher de chá pra quem é da área e gosta de trocar ideias, insights e aprender mais.
Por isso, Thereza Farkas conversou comigo sobre seu local de investigação artística:

S: Por que o nome Casa Tomada?
Tem um conto do escritor argentino Júlio Cortázar chamado “Casa Tomada”, então a ideia do nome surgiu dele.  Mas a partir daí ganhou outros sentidos.  Casa Tomada como lugar gerador de energia, produção e reflexão. E não é um lugar qualquer, é uma casa. Aqui as pessoas sentem-se à vontade tomando posse desse espaço e ocupando uma arquitetura pensada especialmente para o convívio.  O objetivo é que esta Casa seja Tomada por idéias, vontades e pessoas que pensam o mundo das artes contemporâneas.

S: De que maneira, Thereza?
Através da nossa proposta que é incentivar o pensamento e o desenvolvimento de trabalhos práticos e teóricos de caráter conceitual -- motivados pelo ambiente da casa e seu entorno -- discutindo o hibridismo de linguagens nos processos artísticos contemporâneos.

A fachada da Casa TomadaS: E que referências vocês tiveram para fundamentar a casa?
Mais do que referências, tínhamos uma vontade muito grande de realizar um projeto no qual pudéssemos reunir as diretrizes das artes em torno desta questão do processo artístico contemporâneo. No mundo de hoje, faz cada vez menos sentido separar a arte em categorias. Tínhamos, é claro, muitas residências artísticas, tanto brasileiras como estrangeiras, como modelos para o nosso projeto. Mas, ao contrário do que se vê em residências pelo mundo, queríamos colocar os artistas para vivenciarem e dividirem suas questões, aflições e descobertas que aparecem ao longo de seus processos de criação, muitas vezes tão solitário. Por isso dividem o mesmo ateliê, a mesma cozinha, o mesmo orientador e participam dos mesmos encontros.

S: Este com certeza é um diferencial importante para o artista. Por falar nisso, como acontece a seleção para os eventos que proporcionam como os workshops que vocês chamam de Ateliê Aberto?
Procuramos escolher pessoas de diferentes áreas de atuação das artes.  Os workshops são pensados para os próprios artistas em ateliê aberto, daí o nome, para que aconteça uma maior aproximação entre eles e suas técnicas, e é também uma maneira de introduzir o universo da Casa Tomada para pessoas de fora, já que as inscrições são abertas a quaisquer interessados.

S:  Agora dia 27 de novembro começa uma exposição decorrente desse primeiro Ateliê Aberto, certo?
O primeiro Ateliê foi formado apenas por artistas convidados. Escolhemos pessoas de áreas diferentes da arte, mas que tivessem alguma linguagem em comum. Ao longo deste período, os participantes tiveram acesso a workshops com profissionais de múltiplas áreas da arte, entre eles o músico Arrigo Barnabé, os artistas Lucio Agra e Silvia Mecozzi, e do diretor de fotografia José Roberto Eliezer. Além disso, receberam as visitas do curador Fernando Oliva, do arquiteto André Vainer e de produtoras da Galeria Vermelho (de São Paulo).

A exposição, que terá entrada gratuita, estreia dia 27 deste mês e apresenta os trabalhos dos residentes que são destaques desta nova geração de artistas plásticos. Se você estiver em Sampa na ocasião, fica aqui minha dica.

Mais informações sobre estes eventos artísticos e suas datas você pode encontrar no www.casatomada.com.br


Serviço: Exposição Ateliê Aberto na Casa Tomada

De 27/11 a 11/12 das 14h às 20h durante a semana e das 11h às 18h aos finais de semana. Entrada Franca.
Rua Brás Cubas, 335, Aclimação, São Paulo. Tel: (11) 2532-7455 

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