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Sarah apresenta Roberta Sá
Cantora roda o país com seu show "Pra Se Ter Alegria"
por Sarah Oliveira - 19 de novembro de 2009
Roberta Sá está em turnê pelo país divulgando o DVD "Pra Se Ter Alegria - Ao vivo no Rio". Estilosa num longo vermelho da estilista Isabela Capeto, a potiguar incorpora uma personagem quase "almodovariana" no palco -- daquelas bem intensas. Canta, dança, se emociona, dá risada, roda, dança... Roberta se deixa levar. O DVD é registro desta alegria que a cantora e compositora transborda quando está no palco. Parece até que está na estrada há muito tempo, tamanho seu profissionalismo Ela, que explodiu com a gravação de "A Vizinha do Lado" (música de Dorival Caymmi), que fez parte da trilha sonora da novela "Celebridade" (2003), de Gilberto Braga, foi uma das grandes revelações da música brasileira nos últimos tempos. E é supercriteriosa ao pesquisar seu repertório e ao fazer suas parcerias musicais.Arrisco a dizer, sem medo algum de errar, que poucas são as que cantam samba como Roberta Sá. Com show marcado para esta quinta feira (19), aqui em Sampa, Roberta bateu um papo exclusivo comigo:
S: Você é formada em jornalismo, né?
Fiz jornalismo, mas sempre tive aula de canto. Assim como as pessoas fazem aula de balé, de tênis, eu fazia aula de canto e não tinha a menor intenção de ser cantora e foi acontecendo, acontecendo... E olha que é algo recente. Apenas cinco anos... Pensa bem.
S: É pouco tempo e uma trajetória já tão consolidada que parece mais.
Engraçado, isso é algo para o qual não consigo ter uma resposta clara. Acho que o amor pela música brasileira e o interesse pra que ela continue viva é maior do que eu me enxergar como cantora, sabe Sarah? Trazer pra um público jovem informações sobre nosso som: gravar Araci de Almeida e, ao mesmo tempo, Junio Barreto. Acho importante misturar compositores contemporâneos com os veteranos que já fazem parte da história da MPB . Todo mundo cantar a música do Rodrigo Maranhão, ele presenciar isso no meu show e chorar de emoção... Nossa essa é minha maior alegria! Não consigo enxergar o tamanho que tenho como cantora hoje em dia, apenas olho para a música . Ela é a grande vedete, a grande majestade. Na verdade, me acho coadjuvante neste processo todo.
S: Você tá com o Pedro Luís (músico, compositor e líder da banda Pedro Luís e a Parede) há quanto tempo?
A gente está casado há dois anos e namora há uns quatro.
S: E a parceria musical que você tem com ele rola de que maneira?
A gente tem hora pra fazer música. (risos)
S: Como assim, vocês marcam hora?(risos) A gente trabalha muito bem juntos, pois nos levamos a sério. É interessante, a gente cria um distanciamento nessa hora para que a música seja o motivo principal daquele encontro. Adoro trabalhar com o Pedro, confio nele produzindo minhas coisas. Amo cantar coisas dele. Com o Pedro tenho muito isso da encomenda, sabe? Eu encomendo uma música pra ele, por exemplo, peço: “queria uma música assim ou assado”. Aí, sem mais nem menos, estou lá em casa ao lado dele e me chega um e-mail. Cara, estou ali no mesmo ambiente que ele e checo um email dele assim: “Pensei em fazer do jeito x, o que acha?” S: Isso é uma forma de respeitar o próprio ofício de vocês...
É um respeito muito grande. Eu admiro e conservo essa relação de cantor e compositor, sabe? Somos parceiros em três canções. Ele me ligou ontem achando graça, pois havia encontrado quatro músicas nossas em andamento e dizendo que tínhamos que marcar a hora certa pra se encontrar e terminar essas canções.
S: Realmente um casal muito disciplinado eu diria...
Você não tem noção, Sarah, ele é superdisciplinado, tem as pastas certinhas salvas e nomeadas corretamente no computador, com todas as parcerias dele. Ele tem essa organização de compositor que senta todo dia para produzir.
S: Você disse que gosta de mesclar feras da MPB com gente de nossa geração. Como pesquisa?
Eu uso muito a internet pra isso. Entro sempre no site do Instituto Moreira Salles, que tem gravações raríssimas, as quais você não acha em nenhum disco à venda. Recomendo! Mas garimpo muita coisa em sebos e lojas de discos. Sou assim: se curto uma música de determinado artista, vou à loja e compro a discografia inteira dele!! Mesmo que tenha apenas em vinil. A gente tem muito vinil em casa.
S: Voltando ao show deste DVD, seu figurino realmente é lindo. Essa preocupação estética com o visual é sua?Acho o show um conjunto, um espetáculo. Minha avó dizia que quando você se veste pra ir para uma festa, você tem que se preocupar com carinho com o que vai usar, pois se você não estiver bem-vestido estará“diminuindo” o dono e a festa (risos). Lembro-me sempre disso e penso assim quando estou me vestindo pra um show meu. Acho que esta preocupação estética que você diz tem a ver com o respeito e com a vontade de agradar ao público que está indo te ver.S: Tudo num show tem que conversar, né?
Uma coisa conversa com a outra sempre! Desde quando comecei a pensar no DVD e convidei o Gringo Cardia para fazer o cenário, que já é uma preocupação de imagem pra música. O mesmo acontece na hora que você tá escolhendo os arranjos e as melodias... É uma preocupação estética, como você disse. Gringo na hora me perguntou como seria o figurino e foi incrível, pois o trabalho da Isabela Capeto tinha tudo a ver com o cenário que ele pensou. Acima de tudo, as coisas dela sempre tiveram a ver com a música que eu faço. Isabela Capeto é uma artista que representa a moda brasileira, e portanto a MPB. A harmonia do show vem desses conceitos. E acredito que o show tem que mexer com seus sentidos todos.
S: E a roupa tem que te deixar livre pra dançar. Você nunca fica parada no palco.
Claro! A roupa tem que me deixar mexer, não pode me prender, meus movimentos tem que estar soltos. Adoro dançar. Até já tentei não me mexer mas não consigo (risos).
S: Mas por que tentou não se mexer?
Ah! Porque tem música em que eu penso: “Nesta, é melhor eu ficar mais paradinha pois é mais introspectiva e tal.” Mas não consigo!! Me mexo em todas! Vou te contar uma coisa: outro dia eu tava vendo um vídeo meu num coral em que eu cantava quando tinha 17 anos e todos tavam ali paradinhos e eu me mexendo horrores sem perceber! Sarah, eu danço automaticamente!
S: Por isso o show do disco, este registro em DVD, chama-se “Pra se ter alegria” (frase tirada da música “Que Belo estranho dia pra se ter alegria”, do pernambucano Lula Queiroga)?
Vem da música do Lula Queiroga que, para mim, é um dos maiores compositores da atualidade. Não é qualquer um que fala: “que belo estranho dia pra se ter alegria”. Pensa, Sarah, essa frase é muito especial, cara. Não sei se você sabe, mas a ideia do CD veio de minha vontade de fazer um disco sobre alegria mas que não fosse alienado aos problemas que temos hoje. Fala com leveza e bom humor de alguns problemas do dia-a-dia. Por outro lado, o show deste disco é feminino, o palco é cor-de-rosa, o vestido que a Isabela Capeto fez é um longo vermelho, o cenário cheio de flores. Tudo de uma alegria sem estranheza, diferente do CD. Por isso mesmo, o show se chama apenas “Pra se ter alegria”, a ideia é extravasar e ter esse momento de alegria. O nome foi conveniente.
S: E o que os paulistanos podem esperar deste show?
O repertório é dos dois discos ("Braseiro", de 2005, e "Que Belo estranho...", de 2007). O show desta turnê comemora a minha breve carreira fonográfica, com quase todas as músicas destes dois discos e muita coisa que quem tem o DVD vai curtir assistir. Canto também uma inédita minha, do Pedro e do Carlos Rennó (compositor), e uma que eu amo que ficou famosa na voz de Miltinho chamada “Samba do balanço” (de Luiz Machado), na qual conto com a participação do Marcelo D2 no DVD.
S: Pra quem Roberta Sá daria uma colher de chá no mundo da música?
Para Veronica Ferriani, uma cantora gloriosa aqui de São Paulo que canta superbem com um timbre lindo. Ela tem um compromisso com a música brasileira que prezo demais.
S: E quem merece uma de sobremesa?
Olha, sou viciada no "Labiata", disco do Lenine lançado neste ano. Ele merece uma torta de limão maravilhosa! Este disco tem letras incríveis. Fora que Lenine canta, toca e fala muito bem. Aliás, eu vi no Festival do Rio e sei que passou na Mostra de São Paulo um documentário sobre ele que deve sair em DVD, não sei. Chama-se “Continuação” (de Rodrigo Pinto). Então dou uma colher de sobremesa dupla! Para o disco e para o documentário. A melhor coisa deste filme é ouvir o que o Lenine tem a dizer sobre as questões atuais, sobre internet. Cara, o Lenine é muito ligado em tudo, fala com propriedade. Gosto de ouvir tudo o que ele tem a dizer. O público de vocês (do Colherada), que curte cultura, não pode deixar de ver.
Serviço:Roberta Sá em São Paulo
Citibank Hall. Av. Jamaris, 213. Moema.
(A agenda completa desta turnê você encontra no http://www.robertasa.com.br/)
Últimos comentários
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Otávio - 20/11/2009 às 11:02:50
O show dela em Salvador foi massa!
Desculpem me os cariocas que acham que Roberta Sa e a potiguar mais carioca do Brasil. Pra mim, ela e a mais bahiana. A bixa se inspira quando canta em Salvador. O show dela foi lindo. Pena q não teve participacao do D2 como no dvd. Sarah, quando você vai aparecer em Viver a Vida? Cuidado com Ze Mayer! Beijos do Ota de Salvador Bahia! Fui!
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RenataMarques - 20/11/2009 às 08:45:24
Eu tava esperando!
Quando Sarah entrevustiu Mariana Aydar, mandei e mail pro Colherada pedinto um Sarah Apresenta apresenta Roberta Sa. A melhor da geração de cantoras de samba. Gosto mto qdo entro no site e tem entrevistas da Sarah com elas. A matéria com a Ceu q não eh especificamentw uma cantora de samba mas eh a inovadora dessa geração, ficou ótima. Acho o Colherada Cultural mto antenado e as entervistas mto exclusivas, com abordagens diferentes. Sarah achou seu espaço na internet assim como sempre o teve de forma diferenciada na tv. Legal isso!










