beijos e grifes

Sarah apresenta Evandro Santo

por Sarah Oliveira - 11 de dezembro de 2009
O humorista Evandro SantoO humorista Evandro Santo, de 35 anos, natural de Uberaba (MG), costuma se inspirar em Madonna para superar os obstáculos de seu caminho. A adoração pela cantora pop é tão grande que em seu site pessoal ele retrata sua própria trajetória concomitantemente com a dela. Cada acontecimento de sua vida pessoal e profissional traz, em paralelo, um show, um disco, uma polêmica lançada por sua diva.

"Acho importante você ter ídolos, pois quando a coisa fica preta, você se resguarda e fica naquele mundo fantasioso do seu 'muso' ou musa. Aí, quando a poeira baixa, você respira fundo e segue. Madonna já me ajudou muito nesse sentido. Eu a acompanho desde 1985 e tenho coisas raríssimas dela em casa. Sempre acreditei nesse lance do sonho virar realidade. Algo meio Beth Balanço, sabe? Alguém que vem do interior e consegue a sorte na cidade grande. Vivo num mundo de fantasia que me ajuda a ter a veia artística mais fortalecida. Senão, estaria perdido."

Por sorte e através de muita ralação, ele fez essa fantasia virar realidade. Dos palcos underground da Companhia do Riso e da Trash 80, Evandro Santo virou sucesso tanto no programa "Pânico na TV" ao lado da Sabrina Sato, como em seu programa "Missão Impossível" na rádio Jovem Pan. Suas tiradas ganharam tanto destaque que ele até já teve um perfil cover no Twitter. Tratava-se de um fã assumido de seu personagem mais conhecido, o Christian Pior, que com sacadas parecidas com as do original acabou conquistando seu próprio espaço na web e tornou-se um dos caras mais pop e queridos do microblog e hoje atende por Hugo Gloss. "Ele gosta de escrever, é rápido e engraçado. Surgiu antes de mim no twitter, aliás, eu descobri (o microblog) através dele, sabia?"

Evandro, por sua vez, o alterego de Christian Pior – nome que é uma alusão ao famosíssimo estilista Christian Dior –, admite adorar o posto que conquistou. Sobre o sucesso, é categórico: "Não sou blasé, compro todas as revistas que saio e faço meu próprio clipping com muito orgulho. Quando fui capa da 'Rolling Stone' ao lado da Sabrina e dos meninos do 'CQC', morri de felicidade."

Em 2010, ele continua firme na turma do Pânico, segue com seu programa de rádio e com a turnê de "Espia Só" (seu show de humor no teatro). Depois do carnaval, lança uma coletânea de esquetes e frases que usa no programa de TV, nos shows, em seu blog e no Twitter.

Com vocês, um lado de Evandro Santo que poucos conhecem:

Brincando com a cadeira do Club NoirS: Como foi sua passagem do stand up comedy para a TV?

Eu fazia o "Deboshow" e telegramas animados. Já era um comediante estável nesse segmento. Tive muitos "quase lá", sabe? Mas a chance só pintou quando o Emilio [Surita] me conheceu e me convidou pra testar uma matéria pro "Pânico na TV", pois ele queria fazer um quadro humorístico que falasse de moda. Quando eu fui gravar com a Sabrina pela primeira vez, era um teste para mim e eu tinha que me sair bem. Era a minha grande chance. Do nada eu inventei a expressão "meda", “meda” de gente cafona, de pobreza. Os planetas estavam ali naquela hora e deu certo.

S: Para fazer esse personagem, o figurino acaba sendo um elemento importantíssimo pra sua imagem...

Eu corro atrás de meu figurino sozinho. Eu que faço e misturo com coisas pessoais. O lance do meu personagem Christian Pior é o exagero. A grife acima do bom gosto, da combinação, do bom senso. Eu não fico o dia inteiro pensando nisso, não. Por exemplo, se o carro vem me buscar às 19h30, quando dá 19h, eu abro meu armário e me jogo no meu acervo. Fico atento se estou repetindo algo. Além disso, muitas coisas eu ganho, outras garimpo em brechó. As mais chamativas uso para compor o personagem e repito peças de maneiras diferentes também.

S: Então você investe de sua grana?

Sempre. Eu cuido de tudo sozinho, meus bordões eu que invento, minha roupa eu que cuido, meu cabelo, meus óculos. Eu que escolho tudo.

S: Você consome moda para poder compor o Christian Pior? De que maneira?

Desde moleque eu gostava de revista de moda. Minha mãe sempre teve uma "Claudia" ou uma "Nova". Várias vezes, quando eu estava indo paro o banco pagar a conta de luz ou o condomínio e passava numa banca, pensava: "Ai meu Deus, a Luciana Curtis na capa da 'Elle' e a Isabella Fiorentino na capa da ’Vogue’", então pegava minhas economias e comprava sem pensar duas vezes. Sempre soube o nome de todas as modelos, de todos os fotógrafos, dos estilistas. Eu falava: "Olha esse look do Reinaldo Lourenço" ou "Olha essa proposta do Alexandre Herchcovitch!" Meus amigos me enchiam o saco me perguntando porque que eu gastava tanto dinheiro com revistas. Quando surgiu o Morumbi Fashion (evento pré-Fashion Week), ficava implorando para os seguranças me deixarem entrar. Assistia aos desfiles do telão. Eu sempre fui antenado no universo da moda e, além disso, era comediante. Mas nunca imaginava que as duas coisas iriam se unir um dia. Fico feliz.

S: O Evandro na vida real também é cheio de grifes hoje em dia?
Claro, não serei hipócrita. Um jeans novo, uma camisa boa, um sapato legal. Óbvio que atualmente trabalho muito e ganho minha grana, então sem remorso, eu me deixo envolver nesse clima de que o mundo da moda é belo, de que as grifes são necessárias, enfim... Sei que tudo isso não quer dizer nada. Mas eu gosto.

Evandro SantoS: E quem são seus estilistas brasileiros preferidos?
Se eu fosse mulher, só vestiria André Lima, pois ele faz uma mulher colorida, sexy. Odeio estilistas que fazem mulher que não transa, sabe? Aquela mulher quadrada, conceitual... Gosto do Herchcovitch, claaaaro. Quem mais? Carlos Miele, Walter Rodrigues, moda praia da Lenny. Todo mundo reza no altar pela Osklen, mas eu não curto muito, não. Acho que a moda deles não deixa a mulher sensual. Nem o homem. Ah! Falando em moda masculina, algo que odeio é quando ela se baseia no padrão europeu. Eu tenho que comprar minhas calças na Brooksfield Junior ou fazer barra, sempre! (risos). Mas consumo muito Mario Queiroz, V-Rom, Alexandre Herchcovitch, Lacoste, Calvin Klein.

S: Quem é luxuoso na opinião do Evandro Santo?
Luciano Huck é um cara que sabe viver bem, por isso o considero luxuoso. Mulher? Marieta Severo, Marília Pêra. Elas seguram qualquer roupa, são “classudas”. Acho que luxo tem a ver com idade...

S: Por quê?
Acho difícil uma mulher nova ser luxuosa.

S: Mas tem muita menina estilosa que pode ser considerada luxuosa, não?
Sim, claro. A DJ Laura Gerin, por exemplo, é sofisticada e não tem a ver com dinheiro ou com usar um pretinho básico com cabelo impecável. Não, pra mim luxuoso é quem ousa e segura o tranco por isso.

S: E para o Christian Pior?
Hebe e todos os seus diamantes. E Otávio Mesquita, que vive num jet set dele. O trio João Armentano, Ricardo Almeida e Otávio Mesquita formam o trio luxo do meu Christian Pior.

S: Quem não é luxuoso para você?
O Jesus Luz não tem nenhuma classe. Um tonto. E o Kaká (jogador) por mais que faça a campanha da Armani é alguém que pede muitas desculpas, não gosto de quem pede desculpas toda hora. A Xuxa nunca foi luxuosa, mas nunca ligou pra isso, então mesmo naquelas roupas erradas funciona.

S: E nos shows? Como você aborda o tema moda em lugares onde as referências não são tão fortemente disseminadas?

Eu coloco o povo no palco, passo perfume. Você não pode se tornar inatingível para o seu público. As pessoas estão lá para rir, então eu preciso falar coisas com as quais elas se identifiquem. Não vou pirar na gola Balenciaga ou no vestido Thierry Mugler quando eu estou no interior de Goiás. O povo de lá não quer saber disso. Tenho que ter humildade de me adaptar à realidade de cada lugar onde me apresento.

S: Na TV você vai de Belém do Pará a Mykonos, na Grécia. O público que te assiste se diverte com outra visão que você mostra desses lugares turísticos não? As culturas regionais acabam enriquecendo seu trabalho de que forma?
Eu improviso de acordo com as características que percebo encontrar nas pessoas desses lugares. Em Belém, tem que experimentar o caranguejo e o maniçoba, sabe? As pessoas são calorosas lá, em Manaus a mesma coisa. No Sul, não posso chutar o pau, pois o pessoal é muito educado. Tenho que ser aberto ao novo e não subestimar o público nunca. Sempre ouço muito que a empregada, o porteiro, o cara da rua me falam. Outro dia, uma garota de Mossoró me mandou e-mail dizendo: "O sol nasce para todos, mas o ar condicionado não". Claro que eu usei esta frase em algum contexto meu! Sempre falo coisas que meu produtor do "Meda" [quadro no programa “Pânico”] comenta.

S: Você viaja quando não está trabalhando?
Trabalho para viajar. Já fui pra Nova York, onde moraria, e Paris. Mas eu amo Paris, estudei a Revolução Francesa pra entender Versailles, a grande ópera de Paris, Notre Dame, St Germain Des Prés, que é a igreja mais antiga de Paris.

S: Você teve uma infância complicada, né?
Fui criado pela minha tia. Não falo mais com minha mãe. Estou em São Paulo desde 1990, sempre tentei uma reaproximação com minha mãe e com meus meio-irmãos, mostrava meu site, explicava sobre meu trabalho. A única vez que ela veio me assistir no palco foi em 1998 e eu que paguei a vinda dela. Foram muitas tentativas. Eu quebrei esse mito da família, sabe? Tenho 32 anos, metade da minha vida meus amigos me ajudaram sem ao menos eu ser famoso. Porque quando você é famoso, todo mundo quer te ajudar, né? Eu não quis cair no clichê de "agora que me dei bem, vou ser o querido da família". Então, eu entendi que não precisava pagar para ter o amor deles. Simplesmente não preciso disso. Gosto de mim. Meu sucesso veio de meu esforço.

S: Foi expulso do colégio três vezes, mas sempre retornou...

Sabe que eu nunca terminei? Quando comecei no “Pânico” estava no terceiro colegial do supletivo. Eu cursava de manhã. Mas por tudo isso, sempre tive um complexo de inferioridade. Então, tenho mania de ler qualquer coisa que vem parar na minha mão. Eu vou de gibi da Mônica a livros como "O mundo de Sofia"; de Sidney Sheldon a “Dom Casmurro”. Até Tchecov, se me derem, eu leio!

S: Você tem livros em casa? Compra?
Tenho tantos que já doei livros aqui para o Club Noir [café do teatro que fica na Rua Augusta e onde rolou esta entrevista]. Não banco o sofisticado, leio de tudo por causa desse meu complexo de inferioridade que veio de tudo o que sofri na escola, todo o preconceito que me rondava. Até “Sabrina” e “Bianca” eu roubava de minha mãe. Sempre adorei o vocabulário rebuscado desse tipo de livro. Nunca o sexo era explícito. A vagina era “o triângulo de pelos entre as coxas”, o peito era “a carne tenra, macia e delicada”. Tudo tinha tantos adjetivos. Acabava lendo em casa e adorava.

S: E se pudesse fazer faculdade, prestaria que curso?
História ou Psicologia. História para entender a humanidade, pois era a matéria que mais amei na escola. As aulas de história ficaram em minha memória. Já cheguei a fantasiar que seria um ótimo professor de história, mas, como o “Pânico” aconteceu na minha vida, vou deixar pra próxima.

S: O que você faz quando está em casa, já que viaja tanto a trabalho?

Fico vendo séries. Amo "Gossip Girl", "The Hills", "Prision Break". Comecei agora a ver "True Blood" e a nova temporada de "Brothers and Sisters". Compro todos esses DVDs. Assisto aos clipes da MTV. E vou muito à Fnac. Comprei outro dia aquele livro caríssimo do David LaChappele, de 2001. A capa estava meio desgastada, então comprei em promoção. E gosto de receber gente em casa. Moro sozinho.


S: O que você ouve?

Mesmo antes da Trash 80 estourar, vivia ouvindo new wave, Ritchie, Doutor Silvana, Gang 90. Tenho saudades dos anos 80, de dançar música lenta. Mas ouço desde Lupicínio Rodrigues a Baby Consuelo. E estou numa fase óbvia, Lady Gaga. Amo a trilha sonora de "Gossip Girl". Esses dias ouvi a trilha da novela "O Outro", sabe? (risos), Duran Duran e amo muita coisa que as pessoas não imaginam como Bjork, Portshead, Massive Attack, Paula Lima... 

S: Tem algo que gostaria de fazer na TV?
Gostaria de ter um programa feminino. Um programa meu com humor voltado para mulher que, para mim, é muito mais suscetível à informação do que o homem. A mulher pensa em vários ângulos diferentes. Faço o mesmo desde 1993, no final das contas é humor. Se as pessoas riem, valeu já.

Questionário Colherada, por Evandro Santo (veja também em vídeo)

O que você come de colher?  Brigadeiro de panela. Qualquer comida... Arroz, feijão, carne. Em casa, eu só como de colher.

Para quem daria uma colher de chá? Ultimamente não estou dando dando colher de chá para ninguém... Mas talvez eu desse pra Marta Suplicy, por ser uma mulher de destaque na política, que é um mundo masculino, e talvez eu acredite nela de novo, então talvez eu desse uma colher de chá para ela.

E quem merece uma de sobremesa?  Por ser uma pessoa bacana? Ivete Sangalo por sempre falar comigo nas entrevistas, Marília Pêra porque é uma grande atriz e muito gentil, Gianechinni porque é lindo de morrer, Mion porque é sexy... Gisele porque leva o nome do Brasil de uma maneira positiva lá fora, Emílio porque me deu uma chance e Sabrina por ser louca e divertida.

Em quem bateria com uma colher de pau? Nos taxistas do Rio que tentam roubar a gente fazendo caminhos ruins. Tô de saco cheio disso.

Onde mete sua colher?  No mundo da cultura. Sou a favor de uma revolução na educação com aulas de cultura sobre cada regiã. As pessoas não conhecem o Brasil.

Últimos comentários
  • Sandra Lins - 15/12/2009 às 18:32:27

    O LADO B DO CHRISTIAN PIOR DO PANICO

    QDO LI ESSA FRASE NO TWITTER DA SARAH, ACHEI CURIOSO E ENTREI NO LINK. INCRIVEL ESTA ENTREVISTA. DIGO INCRIVEL POIS EU JAMAIS IMAGINARIA Q IRIA GOSTAR DE UMA ENTREVISTA COM ELE, COM TODO O RESPEITO. O PGM PANICO NAO TEM A VER COM O QUE CURTO ASSISTIR NA TV ENTAO POSSO AFIRMAR Q NUNCA PARARIA PRA LER 1 ENTREVISTA COM ELE. E PAREI. E ADOREI. ESTE SITE SURPREENDE! BJS SANDRA

  • Caru Ares - 16/12/2009 às 13:53:06

    Arrumado!

    Oi Kelly, obrigada pelo toque! Já consertamos a idade dele na matéria! bjos

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