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Programa "De Carona" aborda o universo cultural paulistano no rádio
por Sarah Oliveira - 7 de janeiro de 2010
O "De Carona" é um dos programas paulistanos de rádio mais antenados da atualidade, na minha opinião, e ouvido com frequência por algumas "colheres". Tem um repertório musical de primeira com canções lado B (que nem sempre tocam em estações mais comerciais) e ainda traz notícias do universo cultural e assuntos comportamentais. "É um programa de variedades com música boa, do tipo que não se ouve por aí. É como se estivéssemos conduzindo nossos ouvintes, que desde o primeiro programa chamamos de caronistas, pela cidade", diz Renata Simões, que apresenta a atração ao lado de Joana Ceccato.
Segundo as meninas, o "De Carona", veiculado pela OI FM das 18h às 20h, surgiu como uma alternativa para a hora do rush. "A ideia sempre foi um bate-papo que trouxesse a cidade para o rádio sem as previsíveis informações sobre o trânsito."Se você mora em São Paulo, deve conhecer o programa. Se você não é daqui, pode acompanhá-lo pela internet", reforça Renata.
Para quem ficou curioso, aqui vai o papo que levei com as duas apresentadoras. De quebra, elas ainda fizeram um TOP 5 com as melhores dicas da cidade de Sampa.
S: Como avaliam o feedback dos ouvintes?
Recebemos e-mails de pessoas que adoram pegar carona conosco todos os dias: gente que sugere programas culturais para falarmos no ar, gente que conta que adorou alguma dica e até reclamando de algo que dissemos. Quando algo diferente acontece, eles respondem prontamente. No dia do apagão, pedimos para os caronistas enviarem e-mails contando o que estavam fazendo quando a luz se foi. E apareceu cada história… (risos)
S: Vocês duas atuam em rádio e em tevê (Renata é apresentadora do programa "Urbano", do canal Multishow, e Joana sempre fez locução para tevê. Começou na MTV, onde também já estrelou campanhas). Quem trabalha nestes dois meios sente que talvez o rádio seja para o apresentador o que o teatro é para o ator: uma grande escola. Costumo dizer que o profissional de rádio pode trabalhar em qualquer mídia, uma vez que tudo é para ontem e ele coloca a mão na massa literalmente. Sentem isso?
R: Realmente é muito diferente fazer rádio e televisão. O ritmo é outro! O programa de rádio acontece todo dia, ao vivo, e na televisão, ele é gravado. No meu caso (no Multishow), é semanal, são gravações concentradas durante apenas três dias. E um acaba fornecendo conteúdo para o outro. Por exemplo, um local bacana no qual fui gravar para o Multishow pode render um bom bloco do "De Carona", mas o enfoque é diferente exatamente pelo que estamos falando. Além disso, no rádio, a ausência da imagem provoca nas pessoas uma curiosidade sobre o que está sendo dito. Temos de ser mais descritivas e permitir o espaço para a imaginação de quem nos ouve. Quando uma matéria na tevê fala de uma exposição, ela vem acompanhada das imagens das obras e a edição facilita, ilustra tudo muito bem. Já no rádio, precisamos descrever cores, formas, o lugar, tudo para fazer o caronista se situar na exposição. Isso instiga o público. S: E hoje em dia os ouvintes têm a possibilidade de acompanhar não só quando estão no carro. Tem público online, certo?
A audiência é diversificada. Tem gente que ouve quando sai do trabalho, no carro, e, quando chega em casa, coloca na internet. Há também uma parcela de ouvintes só da web.
S: E onde buscam essas referências musicais?
A proposta da radio Oi como um todo sempre foi tocar músicas fora do que é executado convencionalmente. A programação musical do "De Carona" é feita de maneira variada. Muito vem do Fernando Borges e Mônica De Paula, da Oi FM de Belo Horizonte, que gera o programa. Temos espaço também para sugerir músicas que queremos colocar. Se ouvimos um disco bacana, selecionamos uma faixa e levamos. O “conselho da rádio” também sugere canções que tenham a cara do programa. E dessa soma nasce a trilha do "De Carona".
S: O conhecimento musical de vocês deve estar aumentando então...
Com certeza! Aumentamos nosso repertório musical depois que começamos pilotar esse bólido. (risos)
S: Sobre as notícias... Elas não se resumem a apenas dicas, são consistentes e muitas vezes reflexivas...
O programa é dividido em cinco blocos. A Fernanda Tripolli, produtora, roteirista e nosso anjo da guarda, fuça em tudo que é lugar para encontrar histórias que rendam boas conversas. Além disso, diariamente cada uma leva pelo menos “um causo” para contar durante o programa. A ideia é balancear bem essa mistura: histórias da cidade de São Paulo, fatos estranhos que acontecem pelo mundo, notícias musicais, dicas de exposições e filmes bacanas. Tudo vale.
S: E como acontece a rotina de trabalho?J: Dividimos nosso dia entre as tevês, o rádio e o resto do tempo buscando notícias para o programa e indo a lugares que virarão pautas em potencial…
R: Olha, é um aprendizado diário. Como eu disse, o ritmo é diferente. O programa de rádio é tudo ali, na hora, e acabo ficando ligada nele de segunda a sexta. Eu foco na tevê três dias durante a semana fora as reuniões. É uma rotina puxada, mas que realizo com prazer. O mais interessante para mim é apurar o olhar, descobrir quais pautas funcionam no rádio e quais funcionam melhor na tevê.
O que é mais puxado no programa de rádio é a rotina do diário. E o fato que a Oi fica no meio da Vila Olímpia (um dos bairros de maior trânsito de São Paulo). (risos)
S: E para finalizar, minhas perguntinhas Colherada. Para quem vocês dariam uma colher de chá?
R: Para a cidade de São Paulo, que apesar de feia é muito divertida. É como diz o escritor Sérgio Vaz: “São Paulo é como uma mulher que não é tão bonita mas manda bem para c***”
J: Dou uma colher de chá ao jornalista e diretor de documentários, Nelson Hoineff. Isso porque meti o pau no seu filme “Alô, Alô, Terezinha!”, no programa. Mas estou pondo fé em outros documentários feitos por ele que ainda não estrearam. Um sobre o jornalista Paulo Francis ("Caro Francis") e outro sobre o Cauby Peixoto ("Começaria Tudo Outra Vez").

S: E em quem bateriam com uma colher de pau?
R: Em quem faz mau uso do dinheiro público e em quem joga lixo na rua.
J: Dou com uma colher de pau nos religiosos que proíbem o aborto e o uso de camisinha.
Muito gentis, as meninas nos brindaram com um TOP5 especialmente feito para esta coluna, com dicas descoladas do que se ver e fazer na cidade de São Paulo. Aproveite!!
TOP 5 da Joana Ceccato:
Moda: Brechó Juice By Licquor - Alameda Tietê, 43, dentro de uma mini galeria.
O bacana desse brechó é que além do trio que comanda a loja ser hiper charmoso e gente fina (a Simone, o Junior e a Renata), ele recebe frequentemente remessas de roupas do Japão, que inclui quimonos incríveis, roupas de segunda mão em sua maioria dos anos 80, além de peças de época, como vestidos, calças, camisas e casacos, tudo muito bem selecionado.
Cinema: Cinemateca Brasileira - Largo Senador Raul Cardoso, 207, na Vila Mariana.
Com muita frequência, indicamos mostras audiovisuais que acontecem nesse espaço, que além de ter uma arquitetura especial remetendo ao seu passado de matadouro municipal, promove exibição de filmes, palestras, debates, cursos, exposições, edição de livros e o restauro de filmes. Lá estão guardados cerca de 200 mil rolos de filmes e um amplo acervo de documentos formado por livros, revistas, roteiros, fotografias e cartazes.
Passeio: Mercadão Municipal - Rua da Cantareira, 306, no Centro.
Outro programa recomendado é uma visita a esse lugar que foi inaugurado em 1933 e, que além de ter muita história por trás de seus vitrais, é o paraíso da gastronomia. Um passeio por lá é uma viagem no mundo das cores, aromas e sabores.
Artes: IAC – Instituto de Arte Contemporânea – R. Maria Antônia, 242
Ligado ao Centro Universitário Maria Antônia, que por si só já vale a visita por ter sido o epicentro do movimento estudantil em 68, por conta da guerra entre os estudantes do Mackenzie e da antiga Faculdade de Filosofia da USP. Em cartaz no Instituto até 28/02, a exposição “Da estrutura ao Tempo”, exibe 18 trabalhos de Hélio Oiticica. Indico essa exposição, porque além de gostar muito dos trabalhos do Oiticica, desde o recente incêndio que queimou parte de seu acervo mantido na casa do irmão, temos falado bastante de suas obras no programa.
Gastronomia: Jantar no Escuro
Fui convidada, através do programa, a participar desse jantar em que os participantes são vendados e impedidos de ver o que vão comer. Todos os sentidos alheios à visão são experimentados: a ideia é comer com as mãos para tentar descobrir, através do tato, junto ao paladar e olfato, o que é servido. Já a audição é estimulada por uma música suave.
TOP 5 da Renata Simões:
Gastronomia: pastel de feira, de preferência, o de carne da Maria que ganhou o Concurso da cidade feito por uma revista de grande circulação (no Pacaembu ou no bairro das Perdizes, ela roda a cidade inteira) ou o pastel da feira do Ceagesp, que rola toda quarta-feira das 16h as 22h (é a única feira noturna da cidade). Ao lado da barraca do pastel tem o cara do caldo de cana que faz garapa misturada com fruta comprada na hora. Misturas incríveis e inimagináveis como caldo de cana com caju ou com água de coco. Vale conferir!
Passeio: ir na Gráfica Fidalga, onde fica a última prensa de lambe-lambe da cidade e tem um arquivo de pôsteres incrível, e na Matilha Cultural, novo espaço da cidade para artes, debate e cinema.
Artes: Galeria Choque Cultural e Pinacoteca – o melhor dos dois mundos estão nestes dois espaços de arte de Sampa.
Moda: Loja do Bispo e Loja Cachalote – o melhor dos dois mundos também.
Cinema: Na Laje e Sarau da Cooperifa – na zona sul de São Paulo resiste um pólo cultural dentro do Bar do Zé Batidão. A cada 15 dias, na segunda-feira, é exibido um filme na Laje e toda quarta-feira tem sarau de poesia. Inspirador.
Serviço:
Sarau da Cooperifa
Rua Bartolomeu dos Santos, 797
Piraporinha - São Paulo
Tel.:(11) 5891-7403
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Últimos comentários
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carla - 07/01/2010 às 12:55:24
adoro ouvir o "de carona"
sarinha, boa dica esta sua matéria! adoro este pgm. ouço sempre qdo tô voltando do trampo e achei mto gostoso ler uma entrevistas com as meninas. valeu!
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maurício dantas - 07/01/2010 às 13:06:47
sempre escuto tbém!
sarahhhhhh, mto legal vc fazer esta entrevista com as duas do decarona. fiquei curioso e corri pra ler. adoro suas entrevistas. sempre têm um aspecto inusitado nelas. parabéns!
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