programa humanitário
George Clooney usa sua força para mudar o papel da TV em tragédia
Canais americanos irão transmitir programação para pedir fundos pelo Haiti no próximo dia 22
por Thais Kuzman - 15 de janeiro de 2010
Mais emissoras de TV decidiram se juntar ao projeto encabeçado por George Clooney de apresentar uma programação especial para arrecadar fundos para as vítimas do terremoto que atingiu o Haiti na última terça-feira. Além dos canais da MTV, que já haviam se comprometido com a ação, a ABC, a NBS, a Fox, a HBO e a CNN também irão participar do Teleton, segundo o site “The Hollywood Reporter”.
O programa, previsto para ir ao ar na próxima sexta-feira (22), deverá ter o mesmo formato de outras maratonas televisivas: será ao vivo, com o revezamento de atrações musicais e de artistas diversos, trará informações sobre o número de mortos e desabrigados no país – de acordo com informações da Cruz Vermelha divulgadas no fim da noite desta quinta-feira, cerca de 50 mil pessoas morreram e mais de três milhões foram diretamente afetadas pelo terremoto – e terá pausas para pedir donativos por telefone e internet. O primeiro músico a garantir presença no show foi o cantor Sting, mas segundo a imprensa internacional, Clooney ainda está contatando seus amigos para trazer mais nomes de peso ao projeto.
O ator e diretor tem experiência na organização de eventos de caridade na TV. Em janeiro de 2005, logo depois do Tsunami devastar pontos da Ásia, o ator encabeçou um teleton para tentar amenizar os efeitos do desastre natural na vida das pessoas prejudicadas.
Não é exagero dizer que engajamento de Clooney na maratona deu um impulso na mudança do papel da televisão na tragédia do Haiti. Para os mais céticos pode soar ingênuo pensar que a ideia e os esforços partiram diretamente dele – e essa seria uma discussão interminável –, mas é fato que a simples divulgação de seu nome tirou emissoras gigantes da apatia. Veículos que antes estavam apenas preocupados em contabilizar vitimas e mostrar os devastadores efeitos do tremor na vida local, se mobilizam pela reconstrução do país. Ao mostrar a preocupação de uma celebridade com um desastre, os canais diminuem o distanciamento da parcela do público que ainda não entendeu a dimensão do problema e podem criar uma identificação maior do que alcançada pelos noticiários.
FÓRMULA DE SUCESSO
Os shows ao vivo para arrecadar fundos por tragédias nacionais ou internacionais são comuns nos Estados Unidos. Em um dos mais recentes, que aconteceu em agosto de 2005, após a passagem do furacão Katrina pelo país, famosos como Leonardo DiCaprio e Morgan Freeman rapidamente se mobilizaram para ajudar os sobreviventes.
Outro exemplo da importância da TV neste tipo de ação foi após os ataques às Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Dez dias depois do ocorrido, atores – inclusive George Clooney – e músicos se uniram para arrecadar dinheiro em um megaevento que recebeu o nome de A tribute to heroes (um tributo aos heróis, em tradução livre).
Para você, a TV deve manter o distanciamento e apenas fazer a cobertura jornalística dos fatos ou deve usar sua visibilidade para arrecadar fundos e ajudar em ações humanitárias?
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