spfw inverno 2010

Panorama do segundo dia de desfiles da SPFW

por Luty Vasconcelos - 19 de janeiro de 2010
Tudo muda, menos o que continua igual. Seguindo o line-up, confira o que continuou igual e o que fez diferença no segundo dia de desfiles e propostas de moda para o inverno 2010.

MARIA BONITA: ARQUITETURA MODERNISTA, MODA MODERNOSA

A grife Maria Bonita se inspirou na geometria dos projetos arquitetônicos da arquiteta Lina Bo Bardi, aproveitando uma de suas obras, o prédio do SESC Pompeia, para mostrar a sua coleção, saindo como de costume do espaço da Bienal. As lãs foram a matéria-prima básica da construção das roupas da estilista Danielle Jensen, que apresentou um interessante paralelo entre as curvas e grafismos nas suas peças.

A cartela de cores trouxe tons de cimento, cinza-asfalto, mais escuro, verde-grama e tons de variações de azul e furta-cor para compor peças trabalhadas em blocos de tecido, lembrando os blocos de concreto da arquiteta modernista. O inverno da Maria Bonita é a cara da marca: sofisticado, cheio de informação e sutil.



REINALDO LOURENÇO: LUZ E FOCO DISTORCIDOS

Reinaldo Lourenço é dono de uma sobriedade romântica e uma modelagem invejável que carrega como sua assinatura em roupas. E não podia ser diferente na coleção que ele apresentou no salão da FAAP. Como dizia o release apresentado no desfile, o estilista se inspirou na luz, e mistura espiritualidade com motivos militares. Mas onde está a luz no militar?

Talvez tenha saído do que o estilista chamou de “vitória”. Enfim, a silhueta da coleção lembra os anos 1940, simples e funcional. Elegante e clássica no primeiro momento, depois romântica, em roupas com ar de lingerie antiguinha. O mais inovador apareceu na temática militar. Desconexa, a coleção de Reinaldo teve altos e baixos em 16 minutos de apresentação. 



MARIA GARCIA: MODA PARA GAROTAS DESCOLADAS

A estilista Márcia Garcia apresentou uma coleção no estilo It-Girl do momento, inspirada na canção “Daria”, da banda CAKE, dos anos 1990, que conta a história de uma garota cheia de atitude. Márcia Garcia veste garotas e mulheres jovens que gostam de consumir um design fácil sem precisar de tanta atitude para encarar o look. O que ela mesma chamou de “street chiq”.

Destaque para as composições de vestidos chemisiere com minissaias mais curtas que o vestido. Boyfriend jackets e macacões que foram desde o estilo glam, com tons metalizados e decotes em V profundo, até jardineiras em tecidos levinhos.

Comercial, mas não tão fácil, a estilista mostrou que entende de moda e que quer ver suas roupas na rua no inverno 2010.


ALEXANDRE HERCHCOVITCH: INVERNO RUSSO EM RIQUEZA DE DETALHES

Alexandre Herchcovitch foi até a Rússia, mais precisamente à Geórgia, e capturou em detalhes os trajes típicos das mulheres ricas e suntuosas para trazer os poderosos bordados na melhor pedraria, nos tecidos mais nobres. Adornos em correntes de tamanhos diferentes fizeram as cabeças dos looks e de quem assistiu ao desfile. Mantôs curtos, com pontas assimétricas e acabamentos em pele, saias e calças  bordadas em pedras grandes e coloridas, acessórios igualmente imponentes, até o xadrez vermelho, que é a cara do estilista, apareceram sem que o look ficasse over, pesado.

A cartela de cores dos tecidos era em variações de cinza esverdeado, azulado, tons de uva e preto.  Herchcovitch como sempre consegue misturar cores, materiais e detalhes com muita propriedade. O inverno do estilista é para mulheres que “sabem ser”.


CORI: CLÁSSICA E CONSTANTE

A marca, que tem fama de boa alfaiataria, não deixou a desejar nesse aspecto mais uma vez. Partindo do trabalho da figurinista de cinema norte-americana Edith Head, e de seu trabalho nos anos 1960, as estilistas Giselle Nasser e Andrea Ribeiro criaram uma coleção clássica e elegante, com ares da musa fashion da época “Jackie O”. Na verdade nada de muito novo aparece na passarela da dupla que trabalha vestidos curtos e acinturados, nos quais quase todas as saias aparecem com o mesmo estilo “balonado”.

Com cartela de cores em preto, cinza, chumbo e tons de roxo, foi possível notar variação sobre um mesmo tema. Mantôs em tecido com textura de  trama de tear deram um toque de rusticidade chique. Shorts muito curtos marcam a ousadia. Modelagens com cortes retos, em evasê, fazem as vezes de vestidos amplos e com a cara do momento. Nada de muita identidade, mas comercialmente viável. Para mulheres que gostam de informação de moda pronta para vestir e discrição.


FORUM TUFI DUEK: A ESSÊNCIA DE UMA MARCA

Pautado na essência da marca, o estilista Eduardo Pombal, à frente da Fórum há dois anos, mostra a mulher poderosa e sexy em looks “all black”. O estilista usou tecidos leves com couro e jacard, somados ao brilho do cetim, fazendo um mix de texturas e tons de preto e cinza que ressaltaram transparências e decotes. Nas saias box, com ancas estruturadas em couro, o corpo parecia pendular no andar pesado da modelo alemã holandesa Lara Stone, que carregou a agressividade que o estilista buscava para “equipar” sua heroína. São objetos de desejo da Fórum para esse inverno: meias, luvas, manguinhas soltas, cor-da-pele com as barras pretas, que compuseram os looks de alfaitaria da grife, similares a tatuagens geométricas nos braços e pernas das modelos -- agressivamente desejáveis.



SAMUEL CIRNANSCK: MÓVEIS, ROUPAS E IMAGINAÇÃO

O gosto por móveis ingleses do carpinteiro Thomas Chippendalle, que viveu no século XVIII, levou o estilista Samuel Cirnansck a criar uma coleção dramática, teatral, muito imaginativa, rendendo o melhor desfile do dia. Os móveis apareceram literalmente, em looks em que a saia sustentava uma mesa de verdade, em alusão à silhueta das largas ancas dos vestidos da época. Um blazer que mais parecia um encosto de poltrona em capitonê, principal recurso de estofado usado por Chippendalle, prendia os braços da modelo, levando a passarela à força do seu conceito.
Almofadas adornaram caudas de vestidos longos e curtos, adornaram ombros e rechearam um casaco inteiro. O moveleiro inglês misturava referências francesas, chinesas e góticas, e o estilista aproveitou essa riqueza de detalhes para levar à passarela luxuosos vestidos românticos, cuidadosamente trabalhados em rendas finas francesas, mas que em nada se pareciam com a renda que se viu nas passarelas da semana de moda.

Drapeados impecáveis em um tecido que lembrava o brilho do couro, apareceram em vestidos tomara-que-caia e em blazers assimétricos. Ressalto as combinações em silicone com abotoamento na parte de trás, aparentes em tailleurs xadrez estilo Oxford, e as cabeças adornadas por cúpulas de abajour franjadas em cristal, numa analogia às cartolas inglesas do período.

Com uma trilha de arrepiar de Jackson Araújo, a sofisticação e elegância luxuosa das mulheres de Cirnansck, que desta vez lembravam personagens do cineasta inglês Tim Burton, causavam burburinhos na sala a cada aparição. Desfile para quebrar com a monotonia do dia e aplaudir de pé.

Últimos comentários
  • Martha - 19/01/2010 às 10:21:25

    Problema

    Larissa, tivemos um breve probleminha técnico, mas o texto já está aí! Um beijo e obrigada por acompanhar nossa cobertura!

  • Larissa - 19/01/2010 às 10:12:38

    Texto?

    Estou adorando a cobertura do Colherada Cultural, mas gostaria de avisá-las que o texto ainda não apareceu!

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