complexo
"Jimmy Corrigan - O Menino mais Esperto do Mundo" traz drama em quadrinhos
por Martha Lopes - 21 de janeiro de 2010
Jimmy é um homem solitário de 36 anos, que divide seus dias tediosos entre cobranças da mãe dominadora e dramática, a ausência do pai e a repulsa de Peggy, colega de trabalho por quem é apaixonado. Ironicamente, o personagem é o protagonista de "Jimmy Corrigan - O Menino mais Esperto do Mundo" (Companhia das Letras, 388 páginas), de Chris Ware. A história em quadrinhos conduz o leitor por um labirinto gráfico e emocional. De design complexo, com quadros que levam a diferentes sentidos de leitura, interrupções na trama e flashbacks, "Jimmy..." convida a um passeio pela alma frustrada do personagem, que sofre a falta de amor e realizações em sua vida. Não à toa a obra é tida como o "Ulisses" de James Joyce dos quadrinhos, tamanha é a sua complexidade.
No entanto, ainda que mais densa do que é comum no gênero, o livro reserva características que tornam a leitura fluida. Uma delas é o tom tragicômico que circunda a vida de Jimmy -- tudo dá tão errado na vida dele que o drama se torna quase cômico, clima assegurado pelos sonhos catastróficos que o homem tem.
Outro pilar importante da obra é o encontro de Jimmy com seu passado e sua ancestralidade. Ele não só conhece o pai, como descobre o histórico de tristezas e erros que compuseram a história de sua família.
Terminada a leitura, além da admiração pela estética primorosa do livro -- que brinda os leitores com páginas lúdicas, que convidam, por exemplo, a montar uma fazenda completa de papel e trazem diversos manuais --, fica a sensação de que, se alguém acha que tem uma vida dramática, não conhece a de Jimmy Corrigan.
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