spfw inverno 2010
Quinto dia de desfiles da SPFW traz boa coleção masculina e polêmica
por Luty Vasconcelos - 22 de janeiro de 2010ALEXANDRE HERCHCOVITCH (MASCULINO): ESTILO E MATURIDADE
Depois de apresentar uma coleção feminina que casou com o luxo total e que abandonou as mulheres jovens e descoladas, Herchcovitch, agora traz a sua essência pessoal em seu momento “40 anos” para apresentar uma coleção masculina tão primorosa quanto a feminina. A inspiração da vez é “O sétimo selo”, filme de Ingmar Bergman. O desfile lembra a coleção de verão 2008, baseada no black metal, mas agora muito mais diluída que os dandis imponentes de então. O ícone máximo do estilista, a caveira, apareceu impactante na maquiagem surpreendente dos modelos, que tiveram de raspar a cabeça para estarem todos iguais. Imagine caveiras desfilando camisas xadrezes em vermelho e calças amplas e mais curtas valorizando os sapatos, terno xadrez “allred”, casacos de capus -- lembrando a imagem da morte --, tudo em tons de cinza, preto e branco. Alfaiataria impecável, mostrando um homem maduro que sabe muito bem ser urbano, jovial e respeitável. Esse é Alexandre com a melhor coleção masculina da temporada. Usável, vendável e fino. De morte!
OESTÚDIO: TROCOU UM DESFILE POR UM VIDEO
Sala de desfile com uma apresentação um tanto diferente. Um telão, que dividiu a passarela causando dúvida no público, exibiu um vídeo no qual apenas dois modelos vestiam roupas comuns, básicas, mas com ar fashion. Uma outra modelo apareceu plastificada, como se fosse um produto de “pronta entrega”. O filme também exibiu camisões de flanela xadrez, calças curtas, botinha apache com franjas. Talvez as listras estampadas com elementos em tons de amarelo, roxo, verde, marrom e cinza, e o clássico xadrez fossem a proposta dos estilistas. De repente, surge a imagem forte de um menino de 11 anos sentado em uma cadeira de rodas e vestindo um colete preto. Impacto aumentou com a legenda da passagem, algo do tipo “nenhum colete conhecido pelo homem foi capaz de erguer este cidadão”. E a peça preta de sustentação do menino foii para o corpo da modelo e fez pensar. Foi intrigante o show que levou a polêmica do vestir e da importância de tudo no meio da semana na qual todos pensam apenas em roupas e novidades.
JEFFERSON KULIG: TECNOLOGIA E FUTURO
O estilista Jefferson Kulig apresentou poucos looks, mas foi preciso e precioso. Para falar de um tema recorrente no final da primeira década do século 21, o futurismo, buscou materiais novos como emborrachados com silicone. Levou para a passarela boas idéias como as silhuetas amplas de vestidos-camisetas, as golas altas listradas e as malhas que pareciam helanca com estampas de tricô.
As rendas cortadas a laser deixaram a mulher mais feminina dentro dos high -tech. As cores se misturavam entre marrom, cinza, preto e vinho, pontuadas por amarelos, azuis e rosas. O resultado: mulheres tecnológicas e espaciais, como quem olha para o futuro fundamentado na filosofia clássica do passado.
NEON: BICHOS À SOLTAOs desfiles da Neon são dos mais concorridos da semana de moda. Afinal, a dupla Dudu Bertholini e Rita Comparato é capaz de criar um clima descontraído tornando o show impactante de se ver. Dessa vez, não foi diferente. Com um enorme leão no meio da passarela, as modelos desfilaram um conceito de selva diferente. As estampas não lembravam bichos, mas sim a idéia de África e de um safári chique e irreverente no qual a caça também é a caçadora.
A mulher Neon é fatal e tem elegância de diva de cinema. Calças curtas e amplas foram acompanhadas por sobretudos, ponchos e casacões. A silhueta acinturada e os ombros marcados aumentaram o ar de poder e mantiveram um pé nos anos 70. Um macacão inteiriço em veludo preto e colado no corpo foi adornado por tecidos como as capulanas, trajes típicos das africanas, e outro elementos tribais. Lã, tweed, seda, cetim, moletom, tricô e neoprene compuseram as texturas da Neon para a próxima estação. Mais um espetáculo de criatividade e estilo.
WILSON RANIERI: O INVERNO FAZ FRIO? A coleção de inverno 2010 do estilista foi marcada por silhuetas amplas e tecidos fluidos, porém o design pareceu um tanto atemporal -- nada com cara de inverno. Nenhum casaco, nenhuma meia, nenhuma lã, nada muito quente, além de uma blusa de pele. Muitas pantalonas, vestidos e saias na altura do joelho, todos amplos. Vestidos de alcinha fina sem nenhum cardigam, casaqueto, lenço se quer para proteger o ombros do frio? Até os sapatos eram sandálias abertas, adornadas com pedraria.
O destaque do desfile foram as calças-saias: pantalonas que na frente eram calças e atrás o tecido era unido, como uma saia longa. E as pantalonas amarradas atrás com tecido torcido. Entre os acessórios, correntes de plástico colorido. Talvez o estilista tenha feito uma coleção de inverno para Belém do Pará, Manaus, quem sabe? Só não entendo o motivo do atraso de quase uma hora para um desfile com pouco stlyling, pouca maquiagem, pouco detalhe, pouca proteção para os dias frios e pouca criatividade.
LINO VILLAVENTURA: DANDO ASAS À SUA CRIAÇÃO
Assista aqui a entrevista e desfile de Lino Villaventura
Parte 2:
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