cenas online

Grupos produzem espetáculos teatrais para a internet

Será que mesmo em vídeo podemos chamar essas produções de teatro?

por Estela Cotes - 28 de janeiro de 2010
Cena de peça no Teatro para Alguém Se você não vai ao teatro, o teatro vai até você. Há três anos alguns grupos experimentam novas linguagens para espetáculos, mas bem longe dos palcos. As cenas flutuam na internet, seja na escrita seja na encenação. Desde 2008, a atriz e diretora Renata Jasion – que já trabalhou com nomes como Gerald Thomas e Antunes Filho – criou o que pode ser a ação mais emblemática desse movimento. No site Teatro Para Alguém a ideia é interpretar especificamente para o universo online.

No mesmo ano, Felipe Barenco e Camilo Pellegrini lançaram o Drama Diário. Também em um site eles reúnem autores da nova geração carioca para escreverem textos de acordo com o tema da semana. Neste caso, a produção fica apenas na escrita. Duas peças, contudo, saíram do conteúdo online para os palcos, “Meu Primeiro Anão” e “Drama em Cena”.

Já em Teatro para Alguém o espetáculo é completo. Os autores selecionados são preferencialmente não dramaturgos, com trabalhos inéditos, e a interpretação deve ser teatral. As cenas são filmadas na casa de Renata, em um palco improvisado na sala, com atores da Cia. Auto-Mecânica de Teatro e convidados conhecidos, como Antônio Petrin e Miriam Mehler. Eles estão na produção “em cartaz” “Anúncio” – com direção de Danilo Marques, o texto do inglês Richard C. Haber traz a história de Léo que, aos 55 anos, solteiro e desempregado, comunica a família de que vai se suicidar. As estreias são transmitidas ao vivo para no máximo 100 espectadores online.

As peças têm temporada de aproximadamente um mês, mas com a vantagem de que tudo o que foi feito pelo grupo está armazenado e tem livre acesso. As filmagens são feitas em planos sequenciais, com no máximo dois takes para cada cena, e os vídeos não podem superar 10 minutos, nem são majoritariamente gravados ao vivo. Mesmo autodeclamado, será mesmo que podemos classificar estes espetáculos como teatro? Além do veículo, do meio de comunicação e do suporte serem outros, nada supera a efemeridade de assistir a uma peça ao vivo, sentindo a vibração dos atores e a reação da plateia.

Entretanto, a experimentação em novas linguagens somada à exibição gratuita, acessada do conforto do lar, agrada. O vídeo do Ato 1 de “Anúncio” (veja abaixo), em dois meses, teve 891 exibições no YouTube. Audiência maior do que muita plateia por aí.  





Últimos comentários
  • Thiago Tavares - 28/01/2010 às 13:44:51

    Teatro na Internet

    Não acho que essa moda de teatro na internet funcione, teatro é uma arte efêmera por isso o que vale é o momento que a pessoa esta vendo ao vivo, tem a energia dos atores, público. Se ja esta gravada e na internet na minha opinião deixa de ser teatro e passa a ser um filminho.

  • Bianca Lopresti - 29/01/2010 às 23:07:36

    Bianca Lopresti

    Eu acho espetácular começar a mesclar a tecnologia com a arte. Ao contrario de você Thiago, o teatro para alguém é uma forma inovadora. Não há necessidade de esquecer o teatro ao vivo e viver apenas na internet. Mas acredito que possa ser mais uma alternativa de arte, do ator poder mostrar seu trabalho mundiamente sem sair de um proprio cenario. Os textos, direção atores são ótimo e super reconhecidos no meio. O trabalho é sim sim grade sucesso, vale a pena você se imformar melhor!

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