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“In on It” traz metalinguagem acessível e impecável
Espetáculo de Enrique Diaz tem excelentes atores, narrativa surpreendente. Um deleite!
por Estela Cotes - 2 de fevereiro de 2010
Tem vezes que a gente dá graças por ter escolhido um certo programa e assistir a “In on It” é um desses gols de placa. Dirigido por Enrique Diaz, ator e fundador da Cia dos Atores, o espetáculo está em cartaz no Teatro FAAP, depois de percorrer festivais no País e de fazer uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro.A peça sobre uma peça é apresentada em três tempos: presente, passado e ficção. Ou seja, estamos vendo o espetáculo (it), sobre um espetáculo, dentro do espetáculo (in). Complicado? Da maneira como foi montado, não.
O que aparentemente soa como uma montagem contemporânea feita para quem está por trás das cortinas, é na verdade um deleite para o espectador em geral. Fernando Eiras e Emílio de Melo interpretam um casal de atores que está produzindo um novo espetáculo. A história criada pelo personagem de Fernando narra os conflitos de Raymond depois de receber a notícia da morte iminente.
Entre os testes em busca das melhores falas e cenas, os dois discutem o relacionamento em crise e retomam a própria trajetória do casal. A narrativa em espiral tem a qualidade de um texto inventivo (de Daniel Maclvor, uma das principais figuras do teatro canadense e inédito por aqui) e a deslumbrante atuação de Fernando e Emílio.
Na direção, Enrique Diaz optou pela simplicidade. A passagem entre um tempo e outro é pontuada por jogos de luz e por uma jaqueta. O objeto diz ao público quando os atores estão encenando a história de Raymond, por exemplo. Os diálogos também apontam para essa intermitência. A fluidez das falas transita do humor simples ao drama tocante, beirando o lirismo. Paralelo ao jogo teatral revelado pelo trabalho metalingüístico, discute-se o curso da vida, dos laços e do amor.
É difícil explicar cada detalhe. Melhor mesmo é conferir ao vivo essa união instigante entre excelente texto, atores na medida, palco quase nu e direção minimalista. Sagrado seja o dia em que Enrique Diaz desistiu do jornalismo para se dedicar ao teatro.
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