dá gosto visitar!
Gastronomia em museus: uma sedução saborosa
Cafés e restaurantes investem em cardápios e ambientes para cativar o público
por Adriana Guivo - 8 de fevereiro de 2010
Depois de alimentar a alma com muitas colheradas de cultura em um museu, é bem possível que ele seduza seu estômago também. É que muitos têm caprichado no ambiente de seus cafés e restaurantes, facilitando o momento de reabastecer as energias e tornado a vivência mais completa. Inclusive, é possível ir até eles apenas para comer – e deixar o consumo de arte para outra hora. Em São Paulo, o Colherada fez uma seleção de três lugares que podem ser frequentados por ambos os motivos:
NA ESTAÇÃO DA LUZ
Um dos espaços de arte mais impecáveis na cidade é a Pinacoteca do Estado. Além de possuir um dos acervos mais ricos da produção brasileira no século XIX, e apresentar exposições de alto nível, como a do francês Henri Matisse, o museu ainda conta com um Jardim de Esculturas à sua volta. Muitíssimo bem-cuidado, apresenta dezenas de obras contemporâneas em torno de árvores frondosas.
No Café Pinacoteca, quem escolher uma das mesinhas externas terá o prazer de contemplar essa visão, mista entre paisagem natural e cenário de exposição ao ar-livre. No salão interno, as janelas de vidro permitem apreciar um pouco do ambiente de fora, mas talvez você se atenha mais às fotografias, normalmente expostas para manter o clima de arte do lugar.
Para saborear, vale pedir um dos sanduíches inspirados em artistas – como o Tarsila do Amaral ou o Van Gogh (R$ 15). Feitos com pão de ciabata, o primeiro tem em seu recheio mussarela de búfala, picanha defumada e molho de mostarda; o segundo mantém a picanha e substitui os demais ingredientes por queijo prato parcialmente fundido e cubinhos de tomate fresco.
Há quem os considere grandes o suficiente para comer a dois – vai depender do seu apetite. Se sobrar espaço para uma dose de gulodice, peça uma das melhores fatias de torta de limão da cidade (R$ 5). A massa é leve, o recheio é azedinho no ponto e o chantilly não é nada enjoativo.
NO IBIRAPUERA
O MAM de São Paulo, localizado no Parque do Ibirapuera, tem a mão de Oscar Niemeyer em sua estrutura – já que se encontra sob a marquise do arquiteto. Circundado por uma lateral de vidro, permite que uma das mais belas aranhas da escultora Louise Bourgeois seja vista de longe. Atualmente, o museu expõe “Dez anos do Núcleo Contemporâneo”, com artistas como Amilcar Packer e Léon Ferrari, e o “Projeto Parede”, com os poéticos lambe-lambes de Vicente de Mello.
O museu também conta com um Jardim de Esculturas, planejado por Burle Marx. E é para ele que os frequentadores do restaurante Prêt voltam suas atenções enquanto se servem à vontade do bufê, cuidadosamente pensado por Beatriz Ticoulate Araújo. As opções vão desde culinária brasileira à italiana e francesa, sempre com um tempero saborosíssimo.
Os pratos variam conforme o dia, mas certamente você vai encontrar uma massa, um risoto ou uma bela variedade de folhas e carnes para conquistar seu paladar. Durante a semana o valor é de R$ 38, e aos finais de semana e feriados, R$ 45. Só funciona em horário de almoço, e deve ser consenso a necessidade de uma boa rede após a refeição – ausente essa oferta, escolha um bom café ou capuccino para dar uma acordada e curtir o que ainda for possível do parque.
NA VILA MARIANA
O Museu Lasar Segall, dedicado à extensa obra do artista, não varia muito nos temas de suas exposições. Normalmente elas promovem um diálogo entre os amigos do grupo modernista – Oswald de Andrade, Pagu e Otto Dix – ou abre espaço para nomes pouco conhecidos, que possuem o mesmo nível de qualidade, como a surrealista Grete Stern.
Quem se interessa por gravuras tem a chance de desenvolver a linguagem no atelier que faz jus ao mentor lituano; considerado um dos mais bem equipados da cidade, tem preços tão acessíveis que parecem simbólicos. O mesmo ocorre com o Cine Segall, onde são vistas sessões de filmes cult, recém-saídos de cartaz no circuito oficial. A sala ainda guarda resquícios de idos passados, com cadeiras de madeira, uma tela de tamanho médio, e ausência de trailers e comercias. Uma sensação única de viagem no tempo.
Em seu café não há um chef nem nada de extraordinário. As opções são os convencionais pães de queijo, empadinhas e pedaços de bolo, cafés e chás de sachês, preparados numa cozinha que lembra cantina escolar. Talvez eles não tentem seu paladar a experiências gastronômicas inesquecíveis, mas o fato de possuir um jardim de intensa vegetação com mesas e cadeiras em concreto, num design coerentemente modernista, pode valer muito a pena. O sossego é tanto que dá preguiça ir embora. Para aproveitar melhor, leve dinheiro na carteira: é a única forma de pagamento do lugar.
NA ESTAÇÃO DA LUZ
Um dos espaços de arte mais impecáveis na cidade é a Pinacoteca do Estado. Além de possuir um dos acervos mais ricos da produção brasileira no século XIX, e apresentar exposições de alto nível, como a do francês Henri Matisse, o museu ainda conta com um Jardim de Esculturas à sua volta. Muitíssimo bem-cuidado, apresenta dezenas de obras contemporâneas em torno de árvores frondosas.No Café Pinacoteca, quem escolher uma das mesinhas externas terá o prazer de contemplar essa visão, mista entre paisagem natural e cenário de exposição ao ar-livre. No salão interno, as janelas de vidro permitem apreciar um pouco do ambiente de fora, mas talvez você se atenha mais às fotografias, normalmente expostas para manter o clima de arte do lugar.
Para saborear, vale pedir um dos sanduíches inspirados em artistas – como o Tarsila do Amaral ou o Van Gogh (R$ 15). Feitos com pão de ciabata, o primeiro tem em seu recheio mussarela de búfala, picanha defumada e molho de mostarda; o segundo mantém a picanha e substitui os demais ingredientes por queijo prato parcialmente fundido e cubinhos de tomate fresco.
Há quem os considere grandes o suficiente para comer a dois – vai depender do seu apetite. Se sobrar espaço para uma dose de gulodice, peça uma das melhores fatias de torta de limão da cidade (R$ 5). A massa é leve, o recheio é azedinho no ponto e o chantilly não é nada enjoativo.
NO IBIRAPUERA
O MAM de São Paulo, localizado no Parque do Ibirapuera, tem a mão de Oscar Niemeyer em sua estrutura – já que se encontra sob a marquise do arquiteto. Circundado por uma lateral de vidro, permite que uma das mais belas aranhas da escultora Louise Bourgeois seja vista de longe. Atualmente, o museu expõe “Dez anos do Núcleo Contemporâneo”, com artistas como Amilcar Packer e Léon Ferrari, e o “Projeto Parede”, com os poéticos lambe-lambes de Vicente de Mello. O museu também conta com um Jardim de Esculturas, planejado por Burle Marx. E é para ele que os frequentadores do restaurante Prêt voltam suas atenções enquanto se servem à vontade do bufê, cuidadosamente pensado por Beatriz Ticoulate Araújo. As opções vão desde culinária brasileira à italiana e francesa, sempre com um tempero saborosíssimo.
Os pratos variam conforme o dia, mas certamente você vai encontrar uma massa, um risoto ou uma bela variedade de folhas e carnes para conquistar seu paladar. Durante a semana o valor é de R$ 38, e aos finais de semana e feriados, R$ 45. Só funciona em horário de almoço, e deve ser consenso a necessidade de uma boa rede após a refeição – ausente essa oferta, escolha um bom café ou capuccino para dar uma acordada e curtir o que ainda for possível do parque.
NA VILA MARIANA
O Museu Lasar Segall, dedicado à extensa obra do artista, não varia muito nos temas de suas exposições. Normalmente elas promovem um diálogo entre os amigos do grupo modernista – Oswald de Andrade, Pagu e Otto Dix – ou abre espaço para nomes pouco conhecidos, que possuem o mesmo nível de qualidade, como a surrealista Grete Stern. Quem se interessa por gravuras tem a chance de desenvolver a linguagem no atelier que faz jus ao mentor lituano; considerado um dos mais bem equipados da cidade, tem preços tão acessíveis que parecem simbólicos. O mesmo ocorre com o Cine Segall, onde são vistas sessões de filmes cult, recém-saídos de cartaz no circuito oficial. A sala ainda guarda resquícios de idos passados, com cadeiras de madeira, uma tela de tamanho médio, e ausência de trailers e comercias. Uma sensação única de viagem no tempo.
Em seu café não há um chef nem nada de extraordinário. As opções são os convencionais pães de queijo, empadinhas e pedaços de bolo, cafés e chás de sachês, preparados numa cozinha que lembra cantina escolar. Talvez eles não tentem seu paladar a experiências gastronômicas inesquecíveis, mas o fato de possuir um jardim de intensa vegetação com mesas e cadeiras em concreto, num design coerentemente modernista, pode valer muito a pena. O sossego é tanto que dá preguiça ir embora. Para aproveitar melhor, leve dinheiro na carteira: é a única forma de pagamento do lugar.
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