muito sangue
"O Lobisomem" e a obviedade dos filmes de terror
por Martha Lopes - 12 de fevereiro de 2010
Quem tiver assistido a "O Lobisomem", de 1941, dirigido por George Waggner, não vai entender a refilmagem que estreia nesta sexta nos cinemas, com Benicio Del Toro. O lançamento mantém o esqueleto da trama original, mas é ambientado em outra época, tem cenário muito mais soturno, optou por mudanças no roteiro e, ainda, pela obviedade que cerca filmes de terror da nossa época.No filme, Lawrence Talbot (Benicio) volta para a casa de seu pai após o brutal assassinato de seu irmão. Ele decide investigar o crime, mas acaba vítima do ataque de um lobo. Transformado em fera, ele só poderá contar com Gwen (Emily Blunt), namorada do irmão, uma vez que o pai (Anthony Hopkins) conduz a situação com crueldade e indiferença.
O longa de 1941 aposta no suspense, além de ser recheado de tons irônicos e bem-humorados que tornam a trama mais divertida. O filme mostra também o medo que perturba o personagem central, receoso da transformação. Há complexidade, drama e comédia, como em outras produções do gênero desta época, como é o caso de "Cat People" (1942).
"Cat People" narra a maldição de um povo sérvio, que prevê que eles se tornem feras incontroláveis. Irena, uma imigrante, casa-se com um americano, mas teme, a todo momento, ser dominada pelo felino que habita sua alma. Mais uma vez, a chave para o filme é a sutileza, com suspense, tons de humor e ironia.Esse estilo leve dos filmes de terror da época são provavelmente condicionados pela falta de apuro estético, que não permitiam criar monstros realistas e verdadeiramente assustadores -- basta dar uma espiadinha no tosco lobisomem de 1941 para constatar isso. Por outro lado, a adaptação que chega aos cinemas encanta pela metamorfose extremamente realista de Benicio Del Toro e pela perfeição de sua caracterização.
Neste caso, a sutileza é esquecida. O lobisomem de hoje dilacera corpos, arranca tripas, come pedaços de corpos e, quando volta a ser homem, se mostra banhado em sangue e sujeira. Prato cheio para os fãs do sangue excessivo, mas pode deixar os preciosistas com saudade.
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