Triste que só
“Preciosa – Uma História de Esperança” é drama pesado de verter lágrimas, mas vale a pena
por Luciana Borges - 17 de fevereiro de 2010
Você já deve ter assistido a filmes “desgracentos” no cinema, com crianças que ficam órfãs, protagonistas à beira da morte, personagens que perderam tudo. Mas arrisco dizer que nada se iguala à sorte (ou à ausência dela) de Clareece Precious Jones, a protagonista de “Preciosa – Uma História de Esperança”. No caso dela, desgraça pouca é bobagem. Moradora do violento bairro nova-iorquino do Harlem, a adolescente de 16 anos sofre preconceito por ser negra e obesa. Está grávida de seu segundo filho, fruto de estupros recorrentes por parte do próprio pai (o primeiro nasceu com síndrome de Down), mal sabe ler ou escrever, e suporta maus tratos físicos e psicológicos infligidos pela mãe. O drama adaptado do livro “Push”, da autora Sapphire, é dirigido por Lee Daniels, que tem na carreira um Oscar de Melhor Filme por “A Última Ceia” (2001), do qual foi produtor. Um dos poucos diretores negros de Hollywood, ele constrói com perfeição o universo que rejeita constantemente a jovem. Seu maior mérito, porém, foi ter acertado na escolha da protagonista entre as 400 garotas que fizeram o teste. Vivida pela estreante Gaborey Sidibe, ela arrebata o espectador para dentro de seu mundo com uma atuação de fato comovente.
A reviravolta na vida de Precious começa justamente quando ela é expulsa do colégio e precisa continuar os estudos em uma escola especial. Como em muitas tramas já mostradas no cinema, é o contato com um professor, nesse caso, Miss Rain (Paula Patton), que irá mudar a condição quase animalesca da garota. Aos poucos, ela começa a tomar consciência de si mesma, relata sua história para uma assistente social (papel de Mariah Carey, muito bem, por sinal) e emerge do silêncio que a transformava em vítima. Outros famosos que participam são o cantor Lenny Kravitz, na pele de um enfermeiro anjo da guarda de Prescious, e a apresentadora Oprah Winfrey, como produtora executiva.Merece destaque também o trabalho da atriz Mo’Nique, que enfrenta a dificílima tarefa de interpretar a mãe egoísta e violenta. Em uma das primeiras cenas entre ela e a filha, dispara, verborrágica, xingamentos e humilhações contra a jovem antes de terminar a discussão com uma surra.
Indicado a seis Oscar, incluindo Melhor Filme, Diretor, Atriz (para Sidibe), Atriz Coadjuvante (Mo’Nique), Roteiro Adaptado e Montagem, a produção está entre as fortes candidatas a levar uma estatueta dourada – não só pelo resultado final como também pela notória predileção da Academia em premiar dramas pesados (“Monster – Desejo Assassino”, “Menina de Ouro” e “Crash – No Limite” são exemplos).

Depois de tanto sofrimento você pode estar se perguntando se vale a pena assistir a esse filme. A resposta é sim. Trata-se de mais uma prova de que o ser humano pode ser surpreendente mesmo diante de adversidades terríveis. Mas não se esqueça de levar seu lencinho.
Clique abaixo e assista ao trailer:
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Últimos comentários
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Luh - 17/02/2010 às 11:18:59
:)
Estou muito ansiosa pra ver esse filme. Só pelo trailer já me emocionei!
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roberta - 18/02/2010 às 19:18:42
corrigindo
*você (é muita emoção Brasillll)
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