luta digna
Gays proibidos de amar livremente ganham voz com projeto fotográfico
51 autorretratos, compilados em livro, denunciam a brutalidade cometida em países homofóbicos
por Adriana Guivo - 17 de fevereiro de 2010
Ser gay é crime em pelo menos 51 países atualmente. Seja na Nigéria, Afeganistão ou mesmo na Jamaica, é preciso viver dentro do armário ou arcar com as duras consequências impingidas por lei, que vai de prisão perpétua a apedrejamento em praça pública. Em defesa dos milhares que vivem nessa situação de intolerância, o jornalista e fotógrafo francês Philippe Castetbon organizou um projeto que lhes dá um mínimo de voz e visibilidade.
Trata-se da compilação de autorretratos feitos por homens que não desistem de amar, apesar do risco que correm. Sem se encontrar fisicamente com nenhum, Castetbon os contactou através de redes virtuais de relacionamento, solicitando um depoimento mínimo e a criação de uma imagem para o livro “Les Condamnés: Dans mon pays, ma sexualité est um crime” [Os condenados: Em meu país, minha sexualidade é um crime], lançado há poucos dias pela editora H&O.
Nas fotografias, tanto os nomes quanto os rostos foram ocultados para impedir o reconhecimento das identidades. Isso, aliás, foi uma condição pré-acordada entre as partes, visando manter o mesmo subterfúgio de anonimato presente nos avatares de cada um. De maneira criativa, eles expressaram o desejo que têm por viverem livremente sua escolha sexual. São imagens simples, mas tocantes, devido ao teor de medo e esperança que carregam.
Perguntado por que as mulheres ficaram de fora dessa empreitada,
Castetbon dá um motivo bem razoável: ele precisaria mentir sobre seu
sexo para se cadastrar num site. “O intercâmbio com cada um foi baseado
na confiança para concordarem em participar deste projeto; eu não
poderia fingir ser uma mulher, e me registrar em um site de encontros
para lésbicas", disse em entrevista. O recorte pode ter focado no universo masculino, porém certamente abrange a toda forma de discriminação homofóbica, seja ela explícita ou não, que o século 21 ainda presencia.
Além do livro, uma exposição acontece até dia 25 de fevereiro em uma sub-prefeitura parisiense, cotada para rodar o mundo conforme surgirem convites. Quem sabe não teremos como vê-la no Brasil?
Por enquanto, confira algumas das imagens no facebook do projeto.
Últimos comentários
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Fabio - 17/02/2010 às 15:04:03
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Fascinante a iniciativa de Philippe Castetbon por mostrar a expressão dos gays que são "criminosos" em seu jeito de amar, é incrível como a luta pelos direitos dos homossexuais nem mesmo engatinha em alguns países. E parabéns pelo site, continuem com o projeto, pois é maravilhoso!
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