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"Meu Tio", adaptado do filme de Jacques Tati, lembra infância com o parente
por Martha Lopes - 1 de março de 2010
Tio normalmente é aquela figura divertida e irresponsável, que nem de longe lembra a chatice dos pais. Pois é em torno desse personagem que se desenrola a trama de "Meu Tio" (Cosac Naify, 176 páginas), de Jean-Claude Carrière -- que, entre outros trabalhos, assina os diálogos e adaptação do filme "A Bela da Tarde". O livro vai na contramão das adaptações: é baseado no filme do cineasta Jacques Tati.Além de ser a figura central da história, o sr. Hulot é também a maior fonte de alegria de Gérard, o narrador do livro. Ele rememora sua infância, quando morava com os pais, pessoas pomposas e consumistas. Preso em uma rotina burocrática, o menino tem seus momentos de diversão quando passeia com o tio por bairros mais populares.
Ao contrário dos pais, o tio não trabalha, não é apegado a bens materiais e cultiva brincadeiras e rituais divertidos. Ao longo da narrativa, o homem lembra as tentativas dos pais de arranjar estabilidade para o tio -- por meio de um emprego ou de um casamento --, e o medo do então garoto de perder a agradável companhia.
Com melancolia, o autor revisita suas memórias de forma engraçada, transportando também os leitores para dias repletos de alegria.
Ainda em torno do fantástico sr. Hulot, a editora Cosac Naify lançou o livro-imagem "Na Garupa do Meu Tio", do ilustrador David Merveille. Para assistir a animação do livro, clique aqui.
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