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Lewis Carroll e jardins ingleses inspiram as artistas Marilá Dardot e Cris Bierrenbach
Confira as instalações “Alices” e “Orange Gardens” no Centro Britânico Brasileiro, em SP
por Adriana Guivo - 10 de março de 2010
Arte e seriedade costumam andar de mãos juntas, levantando questões filosóficas e pondo seus espectadores diante de infinitas interrogações. Eventualmente, é possível se entreter com um prazer imediato, mesmo que a obra não seja de todo fácil, caso que pode ser atualmente observado nas individuais de Marilá Dardot e Cris Bierrenbach, ambas no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo. Tal qual Tim Burton, Dardot se inspirou na obra-prima de Lewis Carroll, dando vida a “Alices”. Ao invés de cores psicodélicas preenchendo o espaço, se veem apenas preto, branco e cinza. Confeccionada com espelhos, a instalação nos mostra ilustrações e trechos da história, transpostos de um exemplar em inglês.
A artista não tem intenção de apresentar a narrativa em sua íntegra, mas conta com um reconhecimento imediato de alguns signos dos quais se vale, como a constante mudança de tamanho dos elementos. Considerado o elo em comum entre os capítulos do livro, seria o que leva Alice a questionar sua relação de grandeza, igualdade ou inferioridade junto aos demais personagens.
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Ao invés de nos fornecer novas imagens criadas a partir do livro, Marilá reflete os poucos elementos que há pelo espaço ao redor – o que inclui os observadores. A assepsia do material utilizado transmite uma sensação de frieza e falta de emotividade, em oposição ao que a narrativa nos passa. Talvez porque, em sua apropriação, os signos se valham por si mesmos, sendo puramente desenhos e palavras escritas.
Bierrenbach, por sua vez, criou uma instalação que conta com a participação dos visitantes. Composta como um labirinto suspenso, “Orange Gardens” é inspirada em um clássico jardim inglês e em casas construídas para os primeiros operários da Revolução Industrial. À primeira vista, simula um muro, feito de tijolos e cimento – é esta a imagem que se vê impressa sobre um tecido leve e translúcido. Disposto em camadas, mantém passagens abertas e fechadas para serem percorridas; por vezes, é necessário voltar nos próprios passos e recomeçar a tentativa de chegar ao outro lado.
A sensação é aflitiva em alguns momentos, despertando uma vontade não de pular o muro para se libertar do problema, mas passar por baixo, já que há um vão com cerca de meio metro. O que talvez mais encante na obra seja tornar flexível algo que se imagina sólido, e vencer uma sensação opressiva com um desafio irrecusável.
“Alices” e “Orange Gardens” até 11 de abril no Centro Brasileiro Britânico na Cultura Inglesa. Rua Ferreira de Araújo, 741 – Pinheiros – São Paulo. Tel: (11) 3095-4466.
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