oscar 2010
A maturidade que rendeu o Oscar de melhor ator para Jeff Bridges em "Coração Louco"
por Malu Porto - 13 de março de 2010
Alguns papeis parecem ser feitos sob medida para ganhar um Oscar de melhor atuação. É o caso do personagem Bad Blake, de "Coração Louco" (de Scott Cooper), interpretado por Jeff Bridges -- que, não por acaso, abocanhou o prêmio na última cerimônia. O filme, cujo enredo conta a história de um falido cantor de country, segue uma plot muito similar a de "O Lutador" (dirigido pelo talentoso Darren Aranofsky), em que também vemos uma ex-celebridade se confrontando com a velhice, a solidão decorrente dos erros cometidos no passado e o desgaste do corpo pelo estilo de vida levado através dos anos. No entanto, a oportunidade que ressucitou Michael Rourke do ostracismo em 2009 -- por incorporar magistralmente o pugilista Randy "Lamb" --, serviu para Bridges como um triunfo sob sua notória fama de canastrão.
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Talvez a idade e as rugas tenham sido as responsáveis por imprimir à feição de "bom moço", quase abobada, do jovem Jeff a carga dramática necessária para interprertar -- e convencer -- em um papel tão dolorido quanto o do velho Bad. Tentativas de atuações mais complexas, como "O Grande Lebowski" (dos irmãos Coen), em que Bridges encarna o protagonista "doido varrido" beirando o ridículo ou mesmo como o desiludido e virtuoso pianista "careteiro" do excelente "Susie e os Baker Boys", ficaram no passado. Nada que um punhado de cabelos brancos e péssima forma física não supere (repare a semelhança inegável de Bridges com o ator Nick Nolte).
Em "Coração Louco", o velho músico country Bad Blake ainda consegue, entre trancos e barrancos, sobreviver de seus antigos hits viajando os EUA, na velha caminhonete "Bessie", se apresentando em boliches e minúsculos bares de cowboys. Alcoólatra e fumante compulsivo, a decadência do cantor de sucesso é denunciada a cada gole da (sempre presente) garrafa de uísque, rasgos em sua camisa jeans e braguilha desabotoada pelo excesso de peso. No entanto, a voz limpa e os acordes impecáveis de sua Fender nos fazem vislumbrar o homem que já foi. E é por esse prisma que a doce jornalista Jean (Maggie Gyllenhaal) enxerga o veterano, e se apaixona por ele, ao entrevistá-lo para um pequeno jornal de Santa Fé. O caso de amor com a jovem mãe irá despertar no velho lobo do oeste mais do que uma paixonite de estrada. Nesse meio tempo, Bad é chamado para uma reconciliação com seu pupilo Tommy Sweet (Colin Farrel), que o abandonou para seguir carreira solo e virou uma grande estrela da música country.
"Coração Louco" narra a história dos altos e baixos de uma vida, seus acertos e erros -- alguns irreparáveis --, mas além de tudo fala da possibilidade de um eterno recomeço e, por que não, consagração, dentro e fora da tela.
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Últimos comentários
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Valéria Silva - 21/03/2010 às 15:56:44
É isso aí
O filme é tocante e a interpretação de Bridges tá fora de série. O prêmio foi merecido. Mais um arraso de matéria... Parabéns!!! beijinho
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