de chico buarque e edu lobo
Jazz Sinfônica apresenta "O Grande Circo Místico" neste fim de semana
por Martha Lopes - 24 de junho de 2010
Uma equilibrista sobrehumana, uma bailarina quase perfeita e uma fera apaixonada. As mais complexas histórias se desenrolam debaixo da lona do circo, principalmente quando se trata de "O Grande Circo Místico". O musical, criado por Edu Lobo e Chico Buarque na década de 1980, foi feito para um balé, mas suas canções ficaram famosas e foram imortalizadas por vozes como Tim Maia, Milton Nascimento e Gal Costa. Quem não conhece a obra, pode fazê-lo neste fim de semana: a Jazz Sinfônica apresenta, nesta sexta e sábado (25 e 26), as músicas, no Auditório Ibirapuera (mais detalhes no link)."O Grande Circo Místico" é originalmente um poema publicado em 1938 no livro "A Túnica Inconsútil", de Jorge de Lima. A ideia surgiu de uma notícia de jornal sobre a tradicional família circense europeia Knie. Ela foi fundada por Frederico, um médico que abandonou sua carreira pela paixão por uma equilibrista. Como pouco se sabia além disso, Jorge de Lima preencheu as lacunas dessa história com seus versos.
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Em 1982, Naum Alves de Souza transformou essa ficção em roteiro para o Balé Teatro Guaíra, de Curitiba, e Edu Lobo e Chico Buarque foram convidados para elaborar a trilha, dando outra dimensão para essa história.
Assim, a misteriosa equilibrista virou "Beatriz", com tons da protagonista do clássico "Divina Comédia", de Dante Alighieri. Na letra da canção, Beatriz vive no "sétimo céu" e confunde o público -- ela é mesmo humana ou é uma estrela?
Nos versos de Jorge de Lima, porém, a equilibrista não é tão distante. Ela e o médico têm uma filha, que, por sua vez, se casa com um palhaço e tem dois filhos. Um deles, Oto, vive um tórrido romance com a estrela Lily Braun. O caminho do nascimento até a morte da paixão, com o casamento dos dois, é o mote de "A História de Lily Braun", mais uma das canções da trilha.Já a filha de Lily com Oto quis uma vida diferente do circo -- queria ir para um convento. O pai não atendeu seu desejo, e a moça teve de viver com a trupe, mas sempre "sofrendo muito por amor de Deus". Esse conflito ganhou a canção "Sobre Todas as Coisas", uma das mais belas de "O Grande Circo Místico". A letra traz trechos como: "Pelo amor de Deus/ Não vê que isso é pecado, desprezar quem lhe quer bem/ Não vê que Deus até fica zangado vendo alguém/ Abandonado pelo amor de Deus".
Dessa forma, os compositores constroem a trama e refletem sobre a condição do artista circense, daquele que, como dizem na canção "Na Carreira", lida com a "Arte de deixar algum lugar/ Quando não se tem pra onde ir". Constituíram, assim, uma das obras mais admiráveis da música popular brasileira.
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