Memória Brasileira

“Radiola Urbana 1972”: projeto de shows celebra o melhor da música nacional e internacional

Cinco artistas apresentam em São Paulo repertório baseado em discos que definiram estilos e épocas

por Larissa Saram - 20 de março de 2012
Caetano Veloso, em 1972, ano em que lançou
Parece exagero, mas o ano de 1972 pode ser considerado um divisor de águas na história da música brasileira e internacional. Se na década de 60 múltiplos movimentos apareceram para mudar o cenário do cancioneiro mundial, foi na década seguinte que os conceitos se consolidaram em gravações que deixaram marcadas para sempre a expressão e criatividade de uma época.

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Foi a partir dessa ideia que o dono do site Radiola Urbana e editor-chefe do programa Metrópolis, da TV Cultura, Ramiro Zwetsch, resolveu desenvolver o projeto “Radiola Urbana 1972”. “Convidei artistas contemporâneos importantes para se apresentarem no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, baseados em cinco discos históricos, que representam estilos e influenciam músicos até hoje", explicou.

Além dos shows, o projeto terá uma série especial de podcasts, uma prévia e complemento do que serão as apresentações no palco. Ramiro contou pra gente esse e outros detalhes. 

Colherada Cultural: Qual é o grande barato do “Radiola Urbana 1972”?
Ramiro Zwetsch:
O que eu mais gosto neste projeto é essa questão de transformação do clássico. É muito legal você fazer a releitura de um repertório histórico, apresentar um novo olhar para algo que marcou uma época. O pressuposto não é repetir, eu duvido que os artistas reproduzam exatamente as faixas como elas são. 

Disco lançado por Caetano Veloso logo após o seu exílio, em Londres, foi o ponto de partida para o projetoC.C.: De onde partiu a sua pesquisa para o projeto?
R.Z.:
O primeiro estalo veio de “Transa”, disco do Caetano Veloso que completa 40 anos em 2012 e que, pessoalmente, é o meu preferido. Queria fazer um show dedicado ao álbum, com vários cantores, cada um fazendo uma faixa. Entre uma pesquisa e outra, percebi que o ano de 72 tinha sido inspiradíssimo, com o lançamento do primeiro trabalho do Clube da Esquina e “Acabou Chorare”, dos Novos Baianos, por exemplo. Foi o melhor período da história da música brasileira! Depois a gente sacou que 72 também tinha sido um ano importante na música internacional... Aí não teve jeito, ampliei e inclui outros discos no projeto.

C.C.: E como rolou a seleção desses outros discos?
R.Z.:
Eu fui um pouco atrás das coisas que gostava. Depois de “Transa” e "Sonhos e Memórias", do Erasmo (que não tem nada a ver com Jovem Guarda), parti para um disco africano e descobri que Mulatu Astatke tinha lançado o ethio-jazz, ou o jazz etíope, que é um som bem específico, que definiu um estilo. Depois fui pesquisar o reggae, uma das bandeiras do Radiola Urbana, e encontrei a trilha sonora do filme “The Harder They Come”, com várias músicas do Jimmy Cliff. Um clássico que veio antes de Bob Marley (ele lançou seu primeiro disco em 1973). Na área do soul, Curtis Mayfield é indiscutivelmente marcante. Com dois discos brasileiros, um de soul, um de reggae e um africano, achei que tinha uma boa seleção.

C.C.: Foi difícil escolher os artistas?
R.Z.: Na verdade não, pois convidamos pessoas que já tinham uma ligação com o álbum. Por exemplo, o Rômulo Fróes bebe na fonte do pós-tropicalismo e “Transa” tem tudo a ver com ele.  O Bruno Morais regravou no ano passado a música “Sorrido Dela”, que faz parte do “Sonhos e Memórias” do Erasmo. Uma vez entrevistei o Rodrigo Campos e ele citou o Superfly como uma referência. Eram muitas coincidências, não podíamos ignorá-las. Capa da trilha sonora do filme “The Harder They Come”, um clássico do reggae antes de Bob Marley

C.C.: Não ficou com pena em deixar outros discos importantes de fora?
R.Z.: Um pouco, mas quando completei o leque tinha cinco artistas com tanta sintonia e ao mesmo tempo tão diversos, que achei que já estava lindo! (risos). Senti por não ter incluído um disco de rock. Ao mesmo tempo, 1972 tem sons muito elaborados, álbuns que de tão sofisticados são dificílimos de serem executados novamente. Acho que esses cinco têm boa representação.

SERVIÇO
“Radiola Urbana 1972”
Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso
Avenida Deputado Emílio Carlos, 3641 – Vila Nova Cachoeirinha
Informações: (11) 39842466 ou no site do CCJRC
Entrada gratuita

Bruno Morais interpreta “Sonhos e Memórias”, de Erasmo Carlos
12 de Maio de 2012

Romulo Fróes interpreta “Transa”, de Caetano Veloso
9 de Junho de 2012

Rockers Control e Curumin e Os Aipins interpretam a trilha de “The Harder They Come”, Jimmy Cliff e outros
14 de Julho de 2012

Assembleia Rítmica de Pinheiros interpreta “Mulatu of Ethiopia”, de Mulatu Astatke
11 de Agosto de 2012

Rodrigo Campos interpreta “Superfly”, de Curtis Mayfield
13 de Outubro de 2012

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