entrevista especial

Thiago Pethit inaugura a presença brasileira no site La Blogothéque, do cineasta Vincent Moon

por Camila Martins - 30 de agosto de 2011
Thiago Pethit em take do projeto
Ao longo dos cinco anos do blog La Blogothéque, o cineasta francês Vincent Moon criou uma linguagem mais subjetiva e artística para o videoclipe. Promovendo os chamados Take Away Shows (Concerts a Emporter), Moon levou nomes como Beirut, Arcade Fire e Phoenix para as ruas e registrou as performances em meio a rotina de suas cidades. Em novembro de 2010, o cineasta desembarcou por aqui e elegeu Thiago Pethit como o primeiro brasileiro a fazer parte do projeto. 

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O músico paulista de voz doce e marcante, em companhia de sua banda, levou piano, violoncelo, cavaquinho e violão para cima do Minhocão, viaduto na região central de São Paulo, para interpretar as músicas "Mapa Mundi" (clique AQUI para ver), "Não Se Vá" (clique AQUI e assista) e "Forasteiro" (clique AQUI), todas do álbum "Berlim, Texas".

O músico levou sua banda ao MinhocãoA parceria, que teve seu resultado divulgado nesta segunda-feira (29), foi uma série de vídeos que mescla todo o lirismo das letras e melodias de Pethit, com a estética dura da capital. O Colherada conversou com o cantor para saber como foi escolher o cenário, trabalhar com Moon e levar o toque brasileiro para o La Blogothéque.

Colherada Cultural: Como foi o convite para participar do projeto La Blogothèque?
Thiago Pethit:
Em um sábado de novembro de 2010, recebi a ligação de um amigo, que é produtor de cinema aqui de São Paulo. Ele pediu dois convites para o show que eu faria naquela noite no Studio SP, em nome do Vincent Moon. Fomos apresentados logo depois do show, era a primeira noite dele em São Paulo e o primeiro show que ele assistia por aqui. De cara ele já disse que gostaria de me filmar para o Blogothèque. Depois nos encontramos por vários dias e fomos planejando as filmagens aos poucos. 

C.C.: Você já acompanhava o trabalho dele?
T.P.:
Já conhecia e sempre fui muito fã dos trabalhos do Blogothèque. Meu vídeo preferido é o do Arcade Fire dentro de um elevador. Gosto da forma como os vídeos são feitos, mas gosto mais ainda das soluções criativas que os músicos inventam para superar o fator acústico e inusitado do trabalho. 

C.C.: Ele disse o motivo de te escolher para ser o primeiro artista brasileiro a participar do projeto?
T.P.:
Sei que ele filmou muitos outros músicos em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Recife. Alguns para um trabalho novo que ele está desenvolvendo, e outros para o Blogothèque. Suponho que eu tenha sido o primeiro que ele filmou por aqui, mas não sabia que seria o primeiro a entrar no blog.  

Thiago e VincentC.C.: Por que o Minhocão foi escolhido como cenário?
T.P.:
A primeira ideia que tivemos foi de filmar com um piano de armário na rua, e que ele pudesse se mover, como no vídeo da música "Forasteiro". Para isso, teríamos que estar em uma rua tranqüila e plana, mas ao mesmo tempo queríamos algo que fosse bastante simbólico da cidade. Foi pensando nestes elementos que chegamos ao Minhocão e filmamos em um domingo à tarde (quando o viaduto fica fechado para carros).  

C.C.: E como foi filmar em um dos lugares símbolos da cidade de São Paulo? Qual foi a reação das pessoas que presenciaram?
T.P.:
Foi lindo! O Minhocão tem essa beleza estranhíssima, uma feiúra que representa tão bem a cidade. Se você olha para um lado, tudo é pobre e sujo, do outro tem cores e pessoas, ao longe, alguns prédios lindos. É bem interessante. Os moradores saíram às janelas para assistir, alguns aplaudiam no final, outros já estavam cantando junto quando repetíamos muito alguma música.  

C.C.: É diferente filmar em uma locação e em um lugar público?
T.P.:
É sempre diferente. Tudo interfere na forma de cantar e de compreender a música, o ambiente, as pessoas. Acho que o mais interessante em filmar em um lugar público é o acaso. As coisas que podem acontecer independente do que estava planejado, que interferem na música, como os ruídos externos, por exemplo. Eles podem ser absolutamente agradáveis à música, ou como em algum dos takes, em que passou por nós uma ambulância, atrapalharem tudo.

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